O socialista João Campos, que recentemente assumiu a presidência nacional do PSB, comentou diversos temas em entrevista concedida neste domingo ao portal Uol. O prefeito do Recife não se furtou de fazer uma análise do governo Lula em seu terceiro mandato e também a aproximação da governadora Raquel Lyra com o cacique petista.
Comentando os números divulgados pela última pesquisa Datafolha sobre o governo Lula, Campos atribuiu a “má avaliação” não só a comunicação, mas também a falta de uma agenda sólida do governo na divulgação de suas realizações.
O tripé: comunicação, gestão e política
Na avaliação do socialista, o governo Lula enfrenta uma baixa avaliação por ter suas entregas “despercebidas” pela população.
“O governo tem feito mais do que as pessoas têm percebido, em vários setores. Do agro, por exemplo, no qual você vê a quantidade de mercados que estão sendo abertos para exportação, no estímulo ao livre comércio e que fortalece crédito agrícola, plano safra, e tudo isso não canaliza [apoio ao governo]”, disse, sugerindo uma receita. ‘Não é só uma tarefa de comunicação. Isso é comunicação, gestão e política, o tripé de qualquer governo. Eu acho que, em cada uma dessas áreas tem pontos assertivos e pontos a serem corrigidos”, completou.
Para João, o governo também deve se aproximar dos partidos de centro, gargalo grande da gestão, que se mostram cada vez mais distantes do petista, impondo dificuldades em pautas do interesse do executivo no congresso e com tendências a apoiar uma candidatura mais à direita em 2026.
“O desejo é poder construir uma frente ampla e se aproximar do centro. Eu tenho batido muito nessa tecla, porque, se você pegar a posição mais extrema à esquerda e a mais extrema à direita, elas são minoritárias. A maioria do Brasil não está nem com uma ponta de um lado, nem com uma ponta do outro. Então ganhará quem fizer o debate correto com o centro. Não significa que você tem que convencer o centro de tudo. Não. Mas significa que você tem que ter uma agenda que o centro se sinta representado”, disse.
“Fazer política é construir maioria”
O prefeito do Recife também pontuou a participação do PSB nesta conjuntura.
“Eu tenho dito: se a esquerda não fizer, a direita fará. E, enquanto partido, enquanto presidente nacional do PSB, eu vou fazer esse debate para a gente ter um partido mais amplo, um partido que tem posições firmes, tem posições coerentes, mas é um partido que seja acolhedor. Porque fazer política é construir maioria. Vencer a eleição é construir maioria”, declarou.
Lula e Raquel
Comentando sobre os movimentos da governadora Raquel Lyra em aproximação com Lula, João disse que vê todo o movimento com muita tranquilidade. “O PSB já se posicionou de forma clara que terá candidatura em 2026 (em Pernambuco), assim como nós apoiamos o presidente Lula em 2022. Nós temos o vice-presidente da República e tem uma aliança histórica no Estado construída entre os nossos partidos. Então, eu vejo isso com muita tranquilidade”, disse.
“Eu vejo que o presidente Lula não está preocupado em eleição nesse momento. Ele está preocupado em governar o país. Então, eu acho que o tempo desse momento, principalmente do presidente Lula, é um tempo de governar e de tratar bem as pessoas, porque ele é uma pessoa civilizada”, concluiu.






