No TBT Político desta quinta-feira (02), a história do candidato mais cheiroso e votado da política de jaboatonense. A história do Bode Cheiroso, que cruzou as ruas do então distrito de Cavaleiro nos anos 1950, segue como um dos episódios mais irreverentes (e reveladores) da política brasileira.

Tudo começou quando um bode de aparência comum, mas com um forte odor, virou símbolo político da região. O animal recebeu (ironicamente) o nome de “Cheiroso”.

Mas foi em 1955 que a figura do bode ficou conhecida no local e na política. O Jaboatão Jornal, diante da insatisfação crescente da população com os políticos da época, lançou uma campanha satírica: “Queremos Cheiroso”. Era uma provocação direta — uma proposta de voto de protesto usando um bode como símbolo de rejeição ao sistema.

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A ideia cresceu. Em 1962, nas eleições municipais, mais de 500 eleitores escreveram “Bode Cheiroso” nas cédulas de votação. Os votos, evidentemente, foram anulados pelo Tribunal Regional Eleitoral. Mas o recado estava dado. O animal virou uma celebridade instantânea: “deu entrevistas” em rádios, apareceu na imprensa nacional e até virou tema de marchinhas. Uma delas dizia:
“Olhe como é que pode, me diga doutor / O diabo dum bode ser vereador”.

A trajetória findou num atropelamento. O fato é que a morte do bode provocou comoção: houve propostas de luto oficial e, segundo relatos, bandeiras chegaram a ser hasteadas a meio mastro em Cavaleiro.

Hoje, o Bode Cheiroso está no panteão do voto de protesto brasileiro, ao lado de figuras como o rinoceronte Cacareco, eleito vereador em São Paulo em 1959 com mais de 100 mil votos, e o macaco Tião, que disputou a prefeitura do Rio em 1988.

Uma cidade inteira querendo dizer: “Já que ninguém presta, votamos no bode”.

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