Foto: Andréa Rêgo Barros / PCR
Após a notícia de que a cidade de Olinda contará com o efetivo da Guarda Municipal armada a partir do início desta semana, e a cidade do Paulista também segue na mesma linha, a Prefeitura do Recife voltou a ser alvo de cobranças e críticas sobre quando, de fato, a sua GCM será armada.
Durante as Eleições de 2024, na campanha para reeleição, João Campos (PSB), na contramão da postura que adotou no primeiro mandato, o socialista prometeu armar parcialmente a Guarda Municipal, a começar por um determinado grupo tático.
Em sabatina à Folha de S. Paulo e UOL, o prefeito e então candidato à reeleição afirmou que iria começar o processo gradualmente. “Nós vamos começar um estudo para poder ter um novo ciclo para o grupamento tático operacional específico da guarda ter cursos de formação específica para essa parte da guarda municipal, com reforço da corregedoria, com equipamentos como Bodycam [câmera corporal], para a gente começar um processo gradual de armamento da guarda começando com um grupo específico da guarda”, disse.
Na época, adversários apontaram a promessa como “eleitoreira”, visto que, durante toda a sua gestão, a ideia de armar a Guarda Municipal do Recife não era vista com bons olhos.
O ponto sempre foi um alvo de tensão entre a gestão e os vereadores oposicionistas. Em maio do ano passado, o então vereador Alcides Cardoso (PL), líder da oposição na Câmara do Recife, foi autor de uma proposição requerendo a indicação ao prefeito para armar a guarda. A proposta foi aprovada por 15 votos favoráveis, seis contrários e duas abstenções.
Passadas as eleições, Campos reeleito, fim do primeiro semestre, e a cobrança novamente surge como ponto de debate entre os recifenses que alegam sensação de insegurança, sobretudo em bairros do centro da capital pernambucana.
No início do mês de junho, a gestão deu um passo para o armamento da sua Guarda. A PCR lançou o edital de credenciamento que prevê a contratação de cerca de 350 psicólogos credenciados pela Polícia Federal para realização de exames de aptidão psicológica (psicométricos, projetivos e expressivos) para manuseio de arma de fogo pelos agentes de segurança municipais. A medida foi bem recebida.
Porém, para algumas lideranças oposicionistas da gestão, o sonho da guarda armada continua longe de se tornar realidade. O argumento é de que, para a concretização deste planejamento, é necessário, primeiro, firmar um convênio com a Polícia Federal.
Além disso, também a prefeitura deve criar uma corregedoria e uma ouvidoria específicas para a corporação, além da realização de avaliação psicológica e capacitação dos agentes considerados aptos para o porte e o manuseio de armamento.
Mesmo sendo uma proposta ligada mais à agenda conservadora, no Sertão do São Francisco, a cidade de Petrolina dá o exemplo e já conta com a Guarda Armada. E não é de agora. Desde 2008, ainda na gestão do ex-prefeito Odacy Amorim (à época do PT), a sua guarda foi armada.
Aliados ligados à gestão rebatem a tese e afirmam que todos os caminhos levam ao armamento da guarda nos próximos meses. A conferir.
O diz a Prefeitura do Recife?
Matéria atualizada às 14h33 | O processo que possibilitará a utilização de armas de fogo pela Guarda Civil Municipal do Recife (GCMR) foi iniciado em abril de 2025, em reunião com a Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco para celebração de convênio entre a Prefeitura do Recife e a Polícia Federal, e que exige que o município disponha de Corregedoria e Ouvidoria específicas para a Guarda Municipal instaladas. Além disso, é necessário realizar avaliação psicológica e capacitar os agentes considerados aptos para o manuseio das armas.
Junho – O edital para contratação de psicólogos credenciados pela Polícia Federal para realização de exames de aptidão psicológica com os agentes de segurança municipais foi lançado no dia 14 de junho, e atualmente está em fase de avaliação da documentação enviada pelos profissionais inscritos. Esse tipo de contratação funciona da seguinte maneira: os psicólogos são credenciados e passam a pertencer a um banco de profissionais aptos a prestar serviço para a Prefeitura do Recife, sendo chamados, por meio de sorteio, à medida da necessidade da gestão.
Em andamento – Outra exigência do processo de armamento é que a GCMR disponha de um espaço adequado para o armazenamento do armamento e da munição – neste momento, o local se encontra em reforma para atender aos parâmetros da Polícia Federal, e deverá ser entregue também no mês de agosto. Em paralelo, estão sendo construídos os decretos que regulamentam a ouvidoria e a corregedoria da GCMR para se adequarem ao novo momento da corporação.
Agosto – Após a homologação do credenciamento dos profissionais de Psicologia, que acontecerá no mês de agosto, eles poderão ser convocados para realizar a aplicação e análise de testes psicológicos (psicométricos, projetivos e expressivos), realizar entrevista individual e emitir laudo técnico com parecer conclusivo (apto ou inapto) sobre os agentes da GCMR em treinamento, de acordo com a Lei nº 10.826/2003 e normativas da Polícia Federal.
Setembro – Em setembro, está previsto o lançamento da licitação para a contratação do treinamento para os agentes que portarão arma de fogo. Vale lembrar que o armamento irá começar pelo Grupo Tático de Operações (GTO) da GCMR, e que todo agente público de segurança armado na capital utilizará também uma bodycam.







