Foto: Reprodução / Internet

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Por Áureo Cisneiros

A segurança pública no Brasil vive em estado terminal. Passam os anos, mudam-se os governos, trocam-se os nomes nas secretarias, mas a realidade continua a mesma: sem planejamento, sem orçamento, sem prioridade.

Os discursos se renovam, as promessas reaparecem a cada eleição, mas os problemas se repetem como uma crônica de abandono anunciado. As polícias estão sucateadas, com profissionais exaustos, mal pagos e, muitas vezes, sem sequer as condições mínimas de trabalho. Falta efetivo, faltam viaturas, faltam equipamentos e, acima de tudo, falta vontade política.

O que aconteceu neste último fim de semana em Pernambuco escancara esse cenário de caos. Em menos de 48 horas, 14 pessoas foram assassinadas em diversas regiões do Estado. A onda de homicídios atingiu o Agreste, o Sertão, a Zona da Mata e a Região Metropolitana do Recife. Entre as vítimas: ex-presidiários, mulheres e idosos. O sangue derramado revela a falência da segurança pública pernambucana.

Em Vicência, minha terra natal, duas mulheres foram brutalmente assassinadas e uma terceira segue internada em estado grave (bandidos invadiram uma residência e fizeram essa crueldade). A cidade está em choque, tomada pelo medo e pela indignação. Famílias destruídas, vidas interrompidas e um silêncio ensurdecedor por parte do governo. Quantas mortes mais serão necessárias para que o Estado reaja?

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A governadora Raquel Lyra anunciou com grande estardalhaço o programa “Juntos pela Segurança”, prometendo mais de um bilhão de reais em investimentos. Mas o que se vê é apenas propaganda. Até agora, nenhuma inovação estrutural, nenhuma política pública efetiva, nenhum resultado concreto. As delegacias seguem precárias, os policiais continuam com um dos piores salários do país, e a violência só cresce.

O programa virou uma peça de marketing institucional — sem transparência, sem metas claras, sem impacto real.

A nível nacional, a frustração também é evidente. O povo esperava mais de Lula, que prometeu reconstruir o Brasil, mas ainda não apresentou um plano nacional de segurança pública robusto, integrado e articulado com os Estados. A ausência de uma política estruturada faz com que a violência avance e os territórios fiquem à mercê do crime organizado.

Mas ainda dá tempo.

Dá tempo de reagir com seriedade e responsabilidade.

Dá tempo de colocar a segurança pública no centro das prioridades — com valorização dos profissionais, investimento em inteligência, estrutura e prevenção, e gestão transparente.

Enquanto a segurança seguir tratada como palanque político ou cortina de fumaça, o povo seguirá abandonado, e o crime continuará avançando.

Pernambuco sangra. O Brasil agoniza. E o povo não aguenta mais.

Áureo Cisneiros é policial civil, presidente do SINPOL-PE e defensor da valorização da segurança pública como política de Estado.

O conteúdo deste artigo reflete a apuração e a análise do autor, não representando necessariamente a opinião do Blog do Yan.

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