Foto: Cláudia Dalla Nora / Cortesia

Foto: Cláudia Dalla Nora / Cortesia

O maracatu rural será o centro das atenções no Cais do Sertão, no Recife, a partir da próxima terça-feira (12). O espaço cultural recebe a estreia da exposição “De Cambinda ao Maracatu: Na Mata tem Brinquedo”, primeira mostra individual da fotógrafa Cláudia Dalla Nora. A visitação é gratuita e segue até 12 de setembro.

A exposição mergulha no universo do maracatu de baque solto, também conhecido como maracatu rural, expressão cultural que surgiu no século XVIII entre populações negras escravizadas e seus descendentes no interior de Pernambuco. Misturando influências africanas, indígenas e europeias, a manifestação foi reconhecida pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil.

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As imagens foram captadas em Nazaré da Mata, considerada a capital estadual do maracatu rural, além de registros em Tracunhaém e Buenos Aires, municípios da Zona da Mata Norte. Ao todo, são 41 fotografias inéditas, em cores e em preto e branco, que retratam ensaios, cortejos, encontros e o cotidiano de mestres e brincantes.

“Se o maracatu desfila para não esquecer, eu fotografo para lembrar”, afirma a artista. A exposição é resultado de uma pesquisa de campo e de uma imersão da fotógrafa na rotina das agremiações.

Imersão sensorial

Com curadoria da produtora cultural Gisele Carvallo, a mostra convida o público a uma experiência sensorial. As fotografias estarão suspensas em tecidos rústicos, simulando velas ao vento. Figurinos confeccionados artesanalmente por artesãos e brincantes integram a ambientação, ao lado de versos de loas estampados nas paredes, que acompanham o ritmo dos chocalhos.

A exposição também conta com recursos de áudio e olfato. Durante a visita, será possível ouvir depoimentos de mestres e mestras, além de trechos de poesias populares ligadas ao maracatu. “Essa interação é para criar a sensação de que o visitante sinta-se parte da brincadeira popular, caminhando no ritmo do maracatu”, explicou a fotógrafa.

No ambiente, será possível perceber também aromas característicos da Zona da Mata, como terra molhada e galhos de arruda — elementos que integram o imaginário simbólico do maracatu.

A mostra integra a programação do Dia do Patrimônio Histórico e Cultural, celebrado em 17 de agosto, e é viabilizada com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura em Pernambuco (PNAB – PE), por meio da Secretaria de Cultura, Fundarpe e Governo do Estado.

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