Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta quinta-feira (14) da entrega de títulos de regularização fundiária a 599 famílias de Brasília Teimosa, comunidade localizada na zona sul do Recife. A ação marca a primeira fase de um processo que prevê a titularidade de 6.759 lotes até janeiro de 2026.
O evento foi marcado por relatos emocionados de moradores que enfrentaram décadas de incerteza sobre a posse da terra. Clodoaldo José da Silva, 45, pescador e morador do bairro, recordou os períodos em que vivia em uma palafita com a família. “Vivíamos sem dignidade. Foi uma terra que a gente lutou e a gente tinha medo da especulação imobiliária”, disse, antes de cantar com vizinhos: “daqui não saio, daqui ninguém me tira”.
Segundo Silva, a comunidade resistiu à remoção mesmo após conflitos com a polícia. “Nós somos uma comunidade de resistência. A gente vem resgatando as nossas histórias, as dos nossos pais, e dos nossos avós”, afirmou.
Pressão imobiliária e promessa de conclusão
Durante o discurso, Lula lembrou que, em 2003, havia forte pressão para retirar as famílias e erguer empreendimentos à beira-mar. “Tinha muita gente que achava que a gente tinha que tirar vocês, derrubar as palafitas e mandar vocês embora (…) Mas os verdadeiros donos dessa terra são vocês”, declarou.
O presidente disse que pretende entregar todos os títulos até janeiro do próximo ano e criticou a demora na conclusão do processo. “Eu voltarei em janeiro (para entregar todos os títulos). Eu assumo esse compromisso. Preparem a festa”, afirmou, lamentando que parte dos beneficiários tenha morrido antes de receber o documento.
Próximas etapas e urbanização
De acordo com o governo federal, a regularização em Brasília Teimosa será concluída em três fases: 1.006 lotes na primeira etapa e outros 5.753 nas seguintes. A ação integra o programa Periferia Viva, que prevê também a urbanização de áreas ocupadas por famílias de baixa renda.
Lula pediu que os moradores levem a documentação aos cartórios para assegurar a titularidade. “O título vai dar segurança. O título diz que vocês são donos e que ninguém vai poder mexer com vocês”, disse.






