Foto: Anderson Coelho / Getty Images
Nesta última semana, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou no Recife-PE as diretrizes da chamada pública de projetos para o Nordeste da Nova Indústria Brasil (NIB), iniciativa que prevê R$ 10 bilhões em crédito para projetos estruturantes com foco em inovação, reindustrialização e desenvolvimento sustentável.
De acordo com as informações divulgadas pelo banco, o edital deve impulsionar iniciativas focadas no armazenamento, bioeconomia com ênfase em fármacos, hidrogênio verde, data center verde, setor automotivo e tecnologias para a agricultura familiar.
A iniciativa surge em parceria com outras instituições financeiras públicas e entes federais, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) e Consórcio Nordeste. Em resumo, o objetivo é fomentar a reindustrialização da região Nordeste.
Empresas de todos os portes, cooperativas e universidades podem participar do edital, que terá a submissão de propostas até 15 de setembro, com execução prevista para o início de janeiro. As propostas podem incluir infraestrutura física, compra de máquinas e equipamentos, projetos-piloto, contratação de pessoal qualificado, pesquisa e desenvolvimento (em parceria com universidades) e capital de giro.
Maria Fernanda Coelho, diretora de Crédito Digital para MPMEs e Gestão do Fundo Rio Doce do BNDES, comentou que o grande desafio é comunicar aos empresários sobre o potencial de investimentos. “Desde 2023, o Banco já aprovou, na Nova Indústria Brasil (NIB), cerca de R$ 223 bilhões em projetos para o setor produtivo. Deste total, 61% foram para micro, pequenas e médias empresas. Este ano, ampliamos a meta para R$ 300 bi. Ou seja, é um recurso que está disponível para todos”, disse.
Os projetos aprovados pelo edital poderão receber crédito (empréstimos com condições favoráveis), subvenção econômica ou participação societária (investimento direto em empresas). Esta é a maior chamada de projetos industriais para o Nordeste e envolve a integração de várias instituições financeiras públicas, resultando em inovação, sustentabilidade, geração de emprego e renda.
“O Consórcio Nordeste está trabalhando ativamente para identificar os setores que têm maior potencial para disputar esses recursos. Temos certeza de que os R$ 10 bilhões desta chamada são apenas o primeiro passo. Queremos que todas as áreas sejam alcançadas por esses recursos aqui no Nordeste”, ressaltou o secretário-executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Eduardo Gabas.
Márcio Stefani, diretor Financeiro, de Crédito e Captação da Finep, pontuou a disponibilidade do recurso. “Essa chamada é uma política pública inédita e queremos dizer ‘Nordeste, temos R$ 10 bi para financiar suas iniciativas’. Desde que assumimos, em 2023, os recursos liberados pela Finep para Pernambuco somam mais de R$ 400 milhões. E nós queremos aumentar isso”, disse.
Para o secretário executivo de Energia da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado, Guilherme Sá, o projeto encontra em Pernambuco um celeiro fértil. “Trazer o ecossistema empresarial e as ICTs (instituições científicas, tecnológicas e de inovação) é uma oportunidade de aproximar esses elos, fazer com que conversem e apresentem bons projetos. Acreditamos muito no potencial de Pernambuco para a chamada e estamos dispostos a apoiar esses projetos na interlocução com os bancos federais e a Finep”.
A nova linha de crédito é vista com otimismo por setores econômicos e industriais, visto que, para muitos, a sensação de instabilidade econômica vem se tornando comum. Com a iniciativa, o Nordeste tende a se tornar um ambiente propício para geração de emprego e renda, além de estimular novos investimentos.







