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Conturbadamente, ostentando deselegância e demonstrando poder de articulação de alguns deputados, foi decidido na manhã desta terça-feira (19) quais parlamentares irão ocupar a presidência, vice e a relatoria da Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar supostas irregularidades nos contratos de publicidade da gestão estadual.
Durante a reunião, inicialmente presidida pela deputada Dani Portela (PSOL), propositora da CPI, os deputados da base governista questionaram as recentes filiações dos ex-socialistas Waldemar Borges, Diogo Moraes e Júnior Matuto ao MDB, PSDB e PRD, respectivamente.
Em um movimento encabeçado por Débora Almeida, Socorro Pimentel e Wanderson Florêncio, endossado por outros parlamentares presentes, os governistas apresentaram um documento do TSE constatando que até a madrugada desta terça, Diogo Moraes constava como filiado ao PSB. Conforme a apuração do site, de fato, tanto Diogo, quanto Waldemar Borges e Júnior Matuto, seguem filiados a legenda.
Após um bate-boca que se arrastou por longas 1h40, a argumentação da base foi desconsiderada. Até aí, os deputados governistas pediram a suspensão da reunião para que um parecer da procuradoria da Alepe fosse emitido confirmando a autenticidade das filiações dos ex-socialistas.
Outro ponto levantado pela base governista é o fato de não haver “motivo concreto para investigações”, o que foi rebatido pelos deputados oposicionistas. E seguiu a queda de braço.
Consoante ao regimento interno, Dani defendeu que esta justificativa deveria ser apresentada à mesa diretora da Casa, mas que os argumentos reunidos até então não eram suficientes para a suspensão da reunião. “A discussão não é sobre oposição e situação, maioria ou minoria… É sobre os requisitos [para abertura da CPI] que eu acredito que foram sanados e cumpridos. Muitos questionamentos feitos a mim são feitos à mesa diretora e eu sequer integro a mesa diretora, muito menos as principais comissões desta casa. Então, direcionem [os argumentos] à mesa diretora, que é a instância cabível. Estou dando abertura a esta CPI respaldada no nosso regimento e nos requisitos cumpridos”, disse.
Mesmo diante das ponderações da propositora, os parlamentares integrantes da base governista decidiram promover um esvaziamento da reunião, ausentando-se da votação. O mais estridente, entre eles, o deputado Renato Antunes (PL), fiel aliado da governadora Raquel Lyra, reafirmou seu posicionamento de independência dentro da Casa.
“É muito triste o que estamos vendo aqui. Que fique registrado para a imprensa, quem está falando é um deputado independente. Nem governo, nem oposição, nem João Campos, nem Raquel. Mas lá fora tem o povo de Pernambuco e o que está acontecendo aqui é uma vergonha. Não há respeito ao devido processo legal”, disse o deputado Antunes, enquanto saía junto com o grupo governista.
O único deputado que permaneceu foi João Paulo (PT), que mesmo oficialmente pertencendo a um partido de oposição, costuma votar com o governo. Porém, durante as votações, absteve-se.
Com a votação dos presentes, foram eleitos Diogo Moraes (PSDB) para a presidência da CPI, Antônio Coelho (UB) para a vice-presidência e Waldemar Borges (MDB) para a relatoria.
Um ponto que chamou atenção nas justificativas de voto de João Paulo foi a crítica bem acentuada feita à condução de Dani Portela. O petista considerou “estranha a condução” e disse que ficou “muito decepcionado” com Dani Portela. Ambos partilham de uma relação bastante áspera na Casa.
O deputado Diogo Moraes, já ocupando a presidência, informou que em breve serão divulgadas a data e o horário para a próxima reunião que marcará, de fato, o início da comissão. A CPI terá duração de 120 dias, podendo ser prorrogada por outros 90.






