Foto: Acervo CNBB
Por Yan Lucca *
Neste dia, há 26 anos, Pernambuco se despedia de Dom Helder Câmara, uma das figuras mais marcantes da história recente do catolicismo e da política brasileira.
Após um período de internação no Hospital Português, acometido de uma pneumonia, expressou o desejo de não morrer em um leito hospitalar e sim em sua casa, aos fundos da Igreja das Fronteiras, no bairro da Boa Vista, centro da capital pernambucana.
E, em uma sexta-feira, às 22h, faleceu de insuficiência respiratória, enquanto dormia. O velório foi na própria Igreja das Fronteiras e reuniu políticos, lideranças e movimentos sociais de esquerda, que acompanharam o cortejo pela Avenida Agamenon Magalhães até a Catedral da Sé de Olinda, onde o seu corpo foi sepultado por volta das 17h.
Em suas mãos, o arcebispo emérito de Olinda e Recife carregava o terço dado pelo próprio Papa João Paulo II durante sua visita ao Recife, 19 anos antes.
O governador do estado Jarbas Vasconcelos, na época, em pronunciamento oficial, enfatizou a importância e o legado do arcebispo. E o próprio presidente da república, Fernando Henrique Cardoso, divulgou uma nota destacando o papel de Dom Hélder na defesa dos direitos humanos e na luta pela paz. Quem representou o governo federal foi o então vice-presidente, o pernambucano Marco Maciel.
O falecimento do “Dom da Paz”, como ficou amplamente conhecido, repercutiu nacionalmente, gerando uma forte comoção entre católicos e praticantes de outras religiões, que se somaram a um único sentimento: a paz, conceito tão forte e abstrato defendido por ele.
Cearense de nascimento, mas pernambucano por identidade, foi o décimo primeiro filho do casal João Eduardo Torres Câmara Filho, jornalista e crítico teatral, e de Adelaide Pessoa Câmara, professora primária.
Teve sua vida pautada pela defesa dos menos favorecidos e minorias políticas e sociais. Sua principal bandeira era o fim da desigualdade social. Sua atuação durante o período de regime militar, sempre na vanguarda da defesa dos presos políticos, serviu de exemplo para ilustrar a atuação de parte da igreja em um dos períodos mais conturbados vividos pela política brasileira.
Aqueles que tentam hoje macular sua imagem e trajetória, seus opositores, se defrontam com a realidade de que na memória recente do nosso estado, Dom Helder é sinônimo de luta e resistência, sendo, ele, verdadeiro cristão, praticante fiel do evangelho e propagador da boa nova.
Yan Lucca é editor deste site.







