Foto: Gabriel Agra

Foto: Gabriel Agra

Desde as eleições passadas, o partido Novo, comandado nacionalmente por Eduardo Ribeiro, vem tendo um crescimento expressivo de filiações e alcançando boa aderência junto ao público mais jovem da direita brasileira.

Em Pernambuco, esse cenário não é diferente. O partido vive um momento de expansão significativa sob a liderança de Tecio Teles, advogado natural de Serra Talhada, que, desde o início do ano, conduz uma verdadeira cruzada pelo estado, promovendo mudanças nos comandos municipais, trazendo novos quadros e aproveitando bem o hype de uma “direita menos extremista”, mais focada nas pautas econômicas.

A proposta da sigla, desde a sua fundação em 2011 por João Amoêdo, sempre foi a promoção de um debate voltado ao liberalismo econômico, com ênfase em questões como: redução do tamanho do Estado, privatizações, livre mercado e responsabilidade fiscal.

O cenário em Pernambuco

Voltando os olhos para o estado, os frutos das últimas eleições municipais estão sendo colhidos hoje. Na legislatura passada da Câmara Municipal do Recife, o Novo contava apenas com uma cadeira, ocupada pelo vereador Felipe Alecrim, reeleito este ano e agora acompanhado pelo jornalista Eduardo Moura.

A presença de Alecrim, por si só, já causava estridência, sendo o líder da oposição à gestão Campos na Prefeitura do Recife. Este ano, o parlamentar foi reconduzido à liderança.

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De fato, para o partido, este foi um dos melhores desempenhos na capital pernambucana. Apesar de Tecio Teles não ter conseguido emplacar o projeto para a Prefeitura do Recife, ficando em 5º lugar com 7.342 votos (0,79%), o momento serviu para dar ao Novo o que na política se chama capilaridade, ou seja, a capacidade de se espalhar e garantir maior presença. Esse movimento atrai, sobretudo, quem tenta enxergar a direita para além do Partido Liberal (PL) e da figura de Bolsonaro.

Enquanto isso, a direita vinculada ao PL vive um verdadeiro pandemônio, resultado de uma disputa interna que gerou desfiliações, “indiretas diretas”, associações negativas e uma divisão na legenda. O partido hoje é comandado por Anderson Ferreira, pessoa de confiança de Valdemar Costa Neto, mas considerado persona non grata pela ala bolsonarista.

O avanço do Novo no interior

Voltando ao Novo-PE, o momento é de diálogo e apresentação da sigla pelo interior. A excursão de Técio já percorreu mais de 23 cidades, entre a Mata Norte, o Sertão do Araripe e o Sertão Central.

Durante a extensa agenda, o presidente do partido concedeu uma entrevista exclusiva ao Blog do Yan Lucca, onde compartilhou suas impressões sobre o momento vivido e as expectativas para o futuro da legenda.

Entrevista com Tecio Teles

Yan Lucca: O Novo PE tem intensificado sua presença no interior, com visitas a mais de 20 municípios em regiões estratégicas como o Sertão do Araripe e a Mata Norte. Que tipo de demandas locais têm surgido nessas conversas e como o partido pretende traduzi-las em propostas concretas para o estado?

Tecio Teles: De fato a gente vem em uma caminhada agora em 2025 andando por todo estado de Pernambuco. Eu, no início de agosto, pontuei que nos próximos meses vamos estar visitando todos os 184 municípios de pernambuco, e agora em agosto terminamos o mês com quase 25 municípios visitados, visitamos todo sertão do Araripe, próximo semana visitaremos todos os municípios da mata norte do estado. O Novo, nas últimas eleições em pernambuco e na capital, teve quase 200 candidatos, elegendo dois vereadores no recife. O objetivo dessas viagens é a gente tá conversando com a população, expandido o partido, mas também trazendo as riquezas e desafios do nosso estado. Aqui, a gente ouviu muito nas cidades onde passei, é a falta de oportunidade de trabalho. Percebemos um potencial grande de riquezas, destaco aqui no sertão do Araripe, a questão do polo gesseiro em Araripina, Trindade, Ipubi; polos de serviços em Ouricuri, da bacia leiteira de Bodocó, toda uma estrutura e potencial turístico em Exu, em Salgueiro um grande entrocamento logístico, e o que percebemos é que são locais que tem importância econômica, mas que o estado precisa dar mais condições para a coisa acontecer. Ouvindo a população, o que sempre escutamos é de acordo com a pauta do partido. A falta de oportunidades para empreender. Infelizmente uma realidade muito grande é que parte das pessoas são beneficiadas pelo bolsa família, ou seja, não tem oportunidade de trabalho, as pessoas ou vivem de trabalho da prefeitura ou vive de programa social, causando a falta de desenvolvimento dos municípios e precisamos trazer desenvolvimento, geração de trabalho, empreendedorismo e atrair a iniciativa privada para investir nesses lugares.

YL: Um dos vereadores do Novo PE no Recife já performa nas pesquisas para o governo do estado. Como o partido está se preparando para essa possível candidatura majoritária e quais critérios serão decisivos para oficializá-la ou homologar outro nome?

TT: A gente recebe com felicidade a pesquisa e entende que pontuar em terceiro lugar para um vereador que foi eleito para sua primeira legislatura, e que vem fazendo um excelente trabalho na Câmara Municipal do Recife, tendo destaque não só na capital, mas em todo estado. Fazendo fiscalizações e aquilo que todo vereador deve fazer. Recebemos com alegria o nome de Eduardo ser pontuando, mas entendemos que hoje ele tá focado na Câmara do Recife. O trabalho de fazer política é nossa, do partido, e ele tá focado em fazer valer o voto de cada recifense. No momento certo, em 2026, vamos discutir as eleições, acreditamos que antecipar qualquer cenário eleitoral agora é prejudicial para a população. Se antecipar uma eleição faltado mais de um ano para que ela ocorra, a gente acaba impedindo que muita coisa possa acontecer. Ao tempo que recebemos com felicidade, a gente observa com cautela. Uma coisa eu garanto: do lado do PT, do PSB, da esquerda, o Novo não vai estar. E em 26 o Novo fará avaliação da sua caminhada para a majoritária do estado de Pernambuco.

YL: A recolocação do Novo PE na política estadual ocorre num cenário de polarização. Qual é a proposta do partido para se diferenciar das legendas tradicionais da direita?

TT: É claro. O partido NOVO é de direita, liberal na economia. Sempre coloquei isso na minha campanha para prefeito do recife. Uma direita lúcida, capaz de dialogar, pontuar aquilo que a gente acredita e defende, um estado mais enxuto, eficiente, transparente, onde a gente possa ter um gasto do recurso público sendo feito de maneira otimizada, sem corrupção. Essa é a marca do partido, tanto nas gestões municipais, com um número enorme de prefeitos no Brasil inteiro, administrando a principal cidade de Santa Catarina, bem como é a marca em Minas Gerais, com o governador Romeu Zema, que pegou o estado quebrado e que recuperou o estado, o colocando de volta no eixo do desenvolvimento e que se lançou como pré-candidato a presidência liderando um processo no campo da direita, mas uma direita capaz de dialogar e apontar soluções. Aqui em Pernambuco não será diferente. O que a gente defende é apresentar propostas e soluções, para que a política de fato seja uma ambiente de mudanças na vida das pessoas. Atraindo melhorais de vida, buscando transparecia, eficiência do serviço público. Não tenho dúvida que em 26 o Novo irá eleger deputados federais, esse é um dos objetivos, vamos eleger de um a dois federais e de dois a três deputados estaduais. A gente tem quadros, vamos ter muitas notícias ainda esse ano de pessoas que estão chegando no Novo para somar.

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