Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Foto: Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil | Por João Américo *

O Brasil pretendia fazer da COP 30, em Belém, o maior evento climático da história. A ambição era transformar o palco amazônico em ponto de virada global. Mas um problema grave ocorreu: faltou combinar com o mundo.

O que vimos nos eventos preparatórios foi um banho de água fria, um ensaio com o teatro vazio. A baixa presença de líderes globais relevantes na pré-cúpula de Belém não foi um acaso — foi um recado. E um péssimo recado: as tensões globais prevaleceram, e o futuro climático ficou em segundo plano.

O esvaziamento político da COP 30, que deveria ser o auge da diplomacia climática brasileira e mundial, falhou.

As nações ricas adoram discursar sobre a “importância vital” da Amazônia. Aplaudem o esforço de redução do desmatamento. Mas, na hora de colocar a mão no bolso — ou até comparecer para tratar do tema — o discurso muda.

O dinheiro prometido para o Fundo Amazônia e outros mecanismos de preservação é troco perto do que esses mesmos países gastam em subsídios para seus próprios combustíveis fósseis. Eles querem que o Brasil preserve a floresta, mas não parecem dispostos a pagar o preço justo por esse serviço global.

A ausência deles no “ensaio” sinaliza que a Amazônia é prioridade para o discurso, não para o orçamento.

O risco é claro: a COP 30, o evento que deveria ser a redenção diplomática do país, corre o sério risco de se transformar em um grande evento protocolar — um palco caro para discursos que ninguém mais ouve e compromissos que ninguém vai cumprir.

E o planeta, claro, continua esquentando.

* Dr. João Américo é advogado, com ampla experiência nas áreas de Processo Penal, Execuções Penais, Justiça Estadual e Federal, Justiça do Trabalho e Justiça Eleitoral. Também é professor universitário.

O conteúdo deste artigo reflete a apuração e a análise do autor, não representando necessariamente a opinião do Blog do Yan Lucca.

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