Foto: Carlos Lima / CMR
A concessão do metrô do Recife à iniciativa privada, uma possibilidade em estudo, foi alvo de debate acalorado em audiência pública na Câmara Municipal desta quarta-feira. O encontro, realizado pela Comissão de Acessibilidade e Mobilidade Urbana, serviu menos para apresentar um plano concreto e mais para evidenciar a crise profunda que atinge o sistema, considerado fundamental para a mobilidade da região metropolitana.
Presidida pelo vereador Fabiano Ferraz (MDB), a reunião traçou um diagnóstico severo sobre o equipamento. Entre os fatores apontados para a perda de usuários estão o aumento da tarifa, a falta de repasses do Governo Federal e o consequente sucateamento. A situação chegou a um ponto em que os trens foram obrigados a reduzir a velocidade por questões de segurança, e problemas de infraestrutura nas estações são frequentes.
A posição do presidente da comissão foi de oposição frontal à privatização como solução mágica. “Sou contra a privatização, pois os exemplos de outras cidades mostram que o custo sobe para a população, mas o serviço não melhora”, afirmou Fabiano Ferraz. Ele defendeu que a saída passa por pesados investimentos públicos e anunciou uma articulação política: “Vamos buscar o apoio dos senadores pernambucanos para que intercedam junto ao Governo Federal”.
A audiência destacou a dimensão regional do problema. O sistema, operado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), atende diretamente os municípios do Recife, Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão dos Guararapes e Camaragibe, além de impactar indiretamente outros dez da Região Metropolitana. O debate contou com a presença de vereadores do Recife—Carlos Muniz (PSB), Kari Santos (PT) e Liana Cirne (PT)—, da vereadora de Olinda Eugênia Lima (PT), da superintendente do metrô Marcela Campos, e de representantes da prefeitura de São Lourenço da Mata e dos metroviários.
O tema não é novo para a comissão. Em setembro, os parlamentares já haviam visitado a sede da CBTU, onde funcionários da estatal detalharam a situação precária do sistema durante uma inspeção que incluiu uma viagem entre as estações Werneck e Recife. A audiência de hoje reforça a pressão por uma solução, seja ela qual for, para um serviço que definha diante dos olhos de milhares de usuários diários.






