Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

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Nesta segunda-feira (22), a BBC News Brasil publicou uma extensa reportagem da repórter Mariana Schreiber intitulada “Qual o futuro do ‘fenômeno’ Michelle Bolsonaro?”, tratando justamente sobre os caminhos que podem vir a ser trilhados pela ex-primeira-dama do Brasil.

Fazendo um retrospecto sobre a vida particular da esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, a reportagem buscou entender em qual ponto Michelle despontou como o tido “fenômeno” entre os conservadores, sobretudo entre mulheres cristãs.

A conclusão a que se chega está atrelada diretamente ao papel de protagonismo assumido pela líder nos últimos anos, desde o final do mandato de Bolsonaro à frente do Executivo nacional, buscando a aproximação da direita com o eleitorado feminino.

Segundo a reportagem, foi justamente aí que Michelle se tornou um tipo de ponto de equilíbrio dentro do bolsonarismo, que algumas vezes foi considerado hostil a certos grupos, especialmente quando comparado à sua relação com mulheres de direita, conservadoras e cristãs.

Conflitos internos e projeção nacional

Hoje, a ex-primeira-dama assumiu um papel central na interlocução dentro do próprio PL. O ponto usado como exemplo para ilustrar de forma prática a sua liderança foi justamente o episódio ocorrido no Ceará, quando Michelle questionou e repreendeu lideranças estaduais pela aliança construída com Ciro Gomes, crítico do bolsonarismo.

Mesmo criando um atrito com os enteados, foi justamente a opinião da presidente do PL Mulher que prevaleceu, e o partido suspendeu o diálogo com Ciro. “Se o meu presidente [do PL, Valdemar Costa Neto] apoia outro candidato, é ele, ele não me representa, ele não fala por mim, eu sou presidente [do PL Mulher], tenho autonomia do meu movimento feminino que se tornou o maior da história”, disse, no evento.

Apesar de tudo, com o anúncio e a bênção de Bolsonaro ao filho, Flávio Bolsonaro, para disputar a Presidência da República, afastando qualquer possibilidade de Michelle encabeçar a chapa para enfrentar o presidente Lula da Silva (PT) em 2026, algumas lideranças da direita enxergaram o ato como um tipo de desautorização da ex-primeira-dama.

Porém, ainda assim, a reportagem colheu a opinião de políticos da direita que alertam que a força e a projeção de Michelle não podem ser ignoradas. No último levantamento da Ipsos Ipec, a ex-primeira-dama aparece com 23% de intenção de voto no primeiro turno, contra 38% de Lula. Um número superior ao de Flávio Bolsonaro (19%) e ao do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, com 17%.

“Descartar a Michelle é descartar a única possibilidade de se manter o legado de Bolsonaro vivo”, afirmou o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ). Já Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, cravou que, em 2026, a líder deve disputar um cargo eletivo. “Se senadora, se presidente, vice-presidente”, disse.

E, mesmo não sendo um consenso nem dentro do bolsonarismo, Michelle acumula um grande capital político, avaliam alguns observadores.

“Ela foi ganhando muita confiança com esse trabalho à frente do PL e isso fez com que ela ousasse se posicionar mais. E ela se tornou uma figura muito querida”, afirma Bia Kicis, deputada federal pelo PL de São Paulo.

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