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Após mais de 20 anos sem investimentos públicos, o Nascedouro de Peixinhos, na Zona Norte do Recife, voltou ao centro do debate político e comunitário. Na noite da terça-feira (03), moradores, lideranças locais e representantes de entidades participaram de uma reunião pública no espaço para denunciar o abandono histórico da área e cobrar ações concretas de revitalização.
O encontro foi realizado a partir de solicitação da vereadora Kari Santos (PT) e teve como eixo central a escuta da comunidade. A proposta apresentada foi de que qualquer iniciativa de recuperação do Nascedouro seja construída de forma participativa, levando em conta os projetos que seguem ativos no local, apesar da ausência do poder público.
Mesmo sem receber investimentos há mais de duas décadas, o espaço permanece em funcionamento graças à mobilização dos moradores. Atividades esportivas, ações de alfabetização, projetos culturais, horta comunitária e iniciativas socioeducativas seguem sendo desenvolvidas, sobretudo voltadas para crianças, adolescentes e famílias da região.
Durante a reunião, a vereadora fez críticas diretas à falta de atuação do poder público ao longo dos anos. “O Nascedouro não está abandonado pelo povo, mas pelo poder público. Eu venho aqui mesmo antes de ser vereadora e firmei o compromisso de cuidar desse espaço que já foi palco de grandes eventos. É um absurdo esse abandono, essa falta de cuidado com um patrimônio tão importante e útil para nosso povo”, afirmou Kari Santos.
A mesa de debates contou com a participação de representantes de diferentes entidades e coletivos ligados ao Nascedouro e à defesa de direitos. Estiveram presentes integrantes da Biblioteca do Nascedouro de Peixinhos, da Assessoria Jurídica às Organizações Populares (GAJOP), representada por Karoline Ramos, da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PE, com Thiago Santos, além de Rogério Bezerra, da Biblioteca Multicultural do Nascedouro. Também participaram representantes de projetos esportivos e da comunidade local, como Ricardo Marcos Barros e Ednaldo Maranhão, conhecido como Dadado.
Ao final do encontro, foram definidos encaminhamentos práticos para dar sequência à mobilização. Entre eles estão a criação de uma comissão comunitária para dialogar com secretarias municipais, a apresentação de pedidos de informação por meio da Lei de Acesso à Informação, articulações com ministérios, busca por emendas parlamentares e ações de mobilização jurídica e cultural em defesa do espaço.
A vereadora reforçou que a discussão sobre revitalização não pode ignorar a trajetória do Nascedouro nem as iniciativas já existentes. Segundo ela, recuperar o espaço passa pelo reconhecimento de sua história e pelo fortalecimento das ações que hoje garantem sua função social na comunidade.






