Foto: Divulgação

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A Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres da Câmara Municipal do Recife realiza, nesta terça-feira (31), às 18h, a primeira vigília contra o feminicídio no Recife, em frente ao movimento Tortura Nunca Mais, na Rua da Aurora, no bairro de Santo Amaro. Intitulada “Nosso luto é a Luta! Vigília pelo fim dos feminicídios”, a mobilização reúne parlamentares, entidades de direitos humanos, coletivos e movimentos feministas com o objetivo de pressionar por políticas públicas de proteção às mulheres.

A iniciativa ocorre em meio a indicadores recentes que apontam avanço da violência de gênero em Pernambuco. Dados da Secretaria de Defesa Social mostram que, apenas nos dois primeiros meses de 2026, foram registrados 18 feminicídios no estado, sendo 10 em janeiro e 8 em fevereiro, o que representa uma média de uma mulher assassinada a cada três dias. No mesmo período, foram contabilizados mais de 8 mil casos de violência doméstica e familiar, cerca de 137 ocorrências por dia.

O cenário estadual se soma a um quadro nacional também preocupante. Levantamento recente aponta que o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número dos últimos anos, indicando a persistência da violência letal contra mulheres.

Presidente da comissão, a vereadora Cida Pedrosa afirma que o objetivo do ato é cobrar respostas do poder público diante da escalada dos casos. “Estamos assistindo aterrorizadas a uma onda de feminicídios em Pernambuco e no Brasil. Estamos aqui para exigir providências do Governo do Estado e da Polícia. As mulheres precisam estar vivas, não vamos arredar os pés das ruas enquanto nossos direitos não forem garantidos. Precisamos de ações concretas”, declarou.

A vigília também busca pressionar por medidas estruturais, como ampliação de políticas de prevenção, investimentos em segurança pública, atendimento especializado às vítimas, integração das redes de proteção e garantia de acesso à Justiça, além do cumprimento da Lei Maria da Penha.

A vereadora Kari Santos destacou a necessidade de articulação entre os entes federativos. “O governo federal colocou como prioridade o combate ao feminicídio e ampliou recursos e políticas públicas para isso, estamos aqui cobrando que o governo do estado utilize esse novo aporte e invista na proteção de todas as mulheres pernambucanas. Essa vigília é um ato de denúncia, de memória e de luta. E ela é permanente até que todas nós possamos viver com dignidade e segurança”, afirmou.

Já a vereadora Natália de Menudo ressaltou o caráter simbólico e político da mobilização. “A virgilia é um grito coletivo por justiça. É a forma que encontramos de lembrar que cada mulher que perdemos não é número, é vida, é história, é família. Essa mobilização mantém o tema vivo, pressiona o poder público e mostra que a sociedade não aceita mais o silêncio diante da violência. A vigília precisa continuar existindo até que nenhuma mulher em Pernambuco tenha sua vida interrompida pela violência”, disse.

A previsão é que a mobilização passe a ocorrer mensalmente, sempre na última terça-feira de cada mês, como forma de acompanhamento contínuo das ações públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra as mulheres. A comissão informou que pretende monitorar compromissos assumidos pelo poder público e cobrar o fortalecimento das redes de acolhimento e proteção.

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