Foto: Divulgação / Sintepe

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O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) denunciou na última sexta-feira (22), durante coletiva de imprensa, supostas irregularidades em contratos milionários firmados pelo Governo do Estado para garantir a manutenção e reforma de escolas da rede estadual de ensino.

De acordo com as informações repassadas à imprensa, cerca de R$ 180 milhões foram destinados pela gestão estadual para obras em aproximadamente 868 unidades escolares. No entanto, inspeções realizadas pelo sindicato constataram a presença de problemas estruturais, além de inconsistências nos boletins de medição, utilizados para comprovar a execução de serviços.

Sindicato aponta inconsistências em boletins de medição

Ainda segundo o Sintepe, os dados da denúncia foram levantados após exposições feitas pela imprensa e análises realizadas a partir de documentos públicos retirados do Portal da Transparência do Governo do Estado. “Foram mais de R$ 180 milhões destinados para essas obras. O que encontramos nas escolas foi um cenário completamente diferente do que consta oficialmente nos documentos”, cravou o diretor de comunicação do Sintepe, Alceu Domingues.

Os contratos investigados foram executados pela Cetus Construtora, que responde pelo serviço de manutenção e reforma em diversas escolas estaduais. Segundo o sindicato, as condições identificadas nas unidades de ensino não estão de acordo com os serviços registrados oficialmente e previstos no contrato. “Estamos falando de infiltrações, mofo, risco elétrico, fiação exposta, banheiros sem funcionamento adequado e estruturas comprometidas. São problemas que colocam em risco estudantes e trabalhadores”, disse Magna Katariny, secretária de comunicação do sindicato.

Segundo a entidade, as fotos usadas para comprovar as medições estariam sendo reutilizadas, além da existência de relatórios distintos e de divergências entre os serviços registrados. A Escola Técnica Estadual Professor Agamenon Magalhães, no Recife, por exemplo, recebeu o aporte de R$ 2,3 milhões para reformas. No entanto, segundo o Sintepe, foram identificadas fotografias repetidas em diferentes boletins de medição.

O mesmo ocorre com outras unidades de ensino, a exemplo da EREM Clóvis Beviláqua, EREM Oliveira Lima e EREF João Barbalho. Nesta última, segundo o Sintepe, foram encontradas fotografias anexadas com endereços incompatíveis com a unidade.

Denúncias serão encaminhadas a órgãos de controle

“A comparação entre os registros anexados ao Boletim de Medição 09, de dezembro de 2025, e ao Boletim de Medição 10, de janeiro de 2026, mostra a reutilização das mesmas imagens para justificar medições em períodos diferentes”, afirmou Alceu Domingues.

O sindicato também apontou divergências entre os serviços registrados e o que foi constatado presencialmente. Em algumas unidades de ensino, os boletins apontavam para instalação de aparelhos de ar-condicionado, pintura, recuperação estrutural e manutenção elétrica. No entanto, as escolas seguem apresentando infiltrações, mofo, salas sem climatização e risco elétrico.

As inspeções realizadas pelo sindicato passaram por dez escolas estaduais, que juntas receberam aproximadamente R$ 10,9 milhões em contratos de manutenção e reforma, mas que seguiam com problemas estruturais e representando risco para estudantes e profissionais da educação.

Segundo o Sintepe, as denúncias seguem para o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Tribunal de Contas do Estado (TCE), Tribunal de Contas da União (TCU) e demais órgãos responsáveis pela fiscalização da aplicação de recursos públicos.

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