Foto: Reprodução / TCE
O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE/PE) concluiu nesta semana a Auditoria Especial realizada no Hospital Agamenon Magalhães, localizado na Zona Norte do Recife, que teve como objetivo analisar a capacidade do Centro Cirúrgico do Hospital, considerando indicadores como estrutura, processo e resultado, com foco nas cirurgias eletivas.
De acordo com o relatório, obtido pelo Blog do Yan Lucca, os dados são referentes ao período de 01/01/2024 a 31/12/2024 e comparados com os resultados de avaliação anterior realizada em 2023, com dados de 01/06/2022 a 31/05/2023.
O relatório, assinado pelo conselheiro Carlos Neves, apontou para um cenário preocupante na unidade de saúde que é referência em cardiologia (alta complexidade), maternidade de alto risco (incluindo banco de leite) e saúde auditiva (incluindo implantes cocleares) e atende entre 4 a 5 mil pacientes por mês.
Segundo o TCE, o Centro Cirúrgico do HAM tem capacidade de realizar cerca de 364 cirurgias por mês (4.368 por ano). apenas 2.760 cirurgias foram realizadas, correspondendo a 63,18% da capacidade calculada pelo próprio Tribunal.
Ainda conforme o relatório, o HAM cumpriu apenas 63,5% da meta de cirurgias pactuada com a Secretaria de Saúde através do Plano Operativo Assistencial (POA). O resultado, classificado pelo TCE como ineficiente, ganha novos contornos diante da taxa de cancelamento de cirurgias, que, em 2024, chegou a registrar 715 cancelamentos ou suspensões de cirurgias eletivas.
Das oito salas cirúrgicas existentes no HAM, apenas seis estavam “operacionais” para a programação eletiva, segundo a auditoria, que também identificou falta ou inadequação de equipamentos, além de déficit de profissionais.
Segundo o Tribunal, duas salas do chamado “bloquinho” haviam sido inauguradas em setembro de 2023. No entanto, seguiam sem funcionamento na fiscalização feita em 2025.
Uma das conclusões mais importantes do relatório está relacionada à estrutura problemática da unidade, com problemas estruturais persistentes desde 2023, constatados em uma fiscalização de 2025.
Outro dado relevante está na quantidade de pacientes na fila de espera por cirurgias eletivas. Em 2023, havia 1.464 pacientes na fila de espera e, em 31 de dezembro de 2024, eram 2.714 pacientes.
Na conclusão, o TCE apontou que existe uma combinação de problemas estruturais, processos e resultados da unidade hospitalar.
- Na estrutura: salas inativas, equipamentos inadequados ou insuficientes, déficit de profissionais e falta de clareza sobre os recursos humanos necessários para ampliar a capacidade.
- Nos processos: registros pouco confiáveis, erros de programação, falhas nos registros de cirurgias e cancelamentos e problemas no gerenciamento das escalas.
- Nos resultados: baixa produtividade, descumprimento da meta, utilização de apenas 63,2% da capacidade e forte demanda reprimida.







