Em especial para o Blog do Yan Lucca, o repórter Alexandre Júnior, entrevistou com exclusividade o Candidato à presidência estadual do PT em Pernambuco, Fernando Ferro.
Nesta semana, o Blog entrevistou Valter Pomar e Pedro Alcântara e Carlos Veras. As entrevistas podem ser conferidas no site.
Confira a seguir as respostas do candidato.
Entrevista com Fernando Ferro
Alexandre Júnior: Antes de falarmos sobre política, conte quem é Fernando Ferro. Como sua trajetória pessoal e militância moldaram sua visão de esquerda?
Fernando Ferro: Sou Fernando Ferro nascido em Bom Conselho, com 5 meses de idade fui morar em Garanhuns área rural de onde posteriormente fui para a cidade onde estudei na juventude até o vestibular na UFPE onde passei para Engenharia elétrica. Iniciei atuação no mov. estudantil período de DITADURA na luta para reabrir os DAs e pela reabertura da UNE. Concluído curso fui contratado pela CHESF onde trabalhei e fiz pos- graduação em sistemas de potência na Univ. Federal de Itajubá–MG. Na CHESF participei de movimento Sindical eletricitário com lutas e greves históricas, de onde fizemos parte da articulação sindical que fundou a CUT e do movimento para fundação do PT. Participei do primeiro diretório estadual do PT, fui presidente do PT, vereador pela cidade do Recife e Deputado Federal por cinco mandatos de 1995 a 2015. Fui líder da bancada federal do PT por duas vezes. Atuando em comissões em áreas do setor energético, meio ambiente, direitos humanos, ciência e tecnologia.
AL: Como um dos fundadores do PT em Pernambuco, quais transformações você considera mais marcantes no partido desde sua criação? E quais princípios originais precisam ser recuperados?
FF: Reconheço que o crescimento institucional, ocorreu com a perda de laços orgânicos com movimentos e luta social, além de descaso interno com núcleos de base, gradativa perda de interesse na formação política dos filiados e burocratização das direções partidárias. Precisamos recuperar nossa interação com a luta social, formar e qualificar dirigentes e militantes de base, gerir com transparência nossos recursos financeiros, publicizar contabilidade e pessoalmente defendo auditoria nas contas do PT e orçamento democrático na partilha de recursos. Obrigar parlamentares e detentores de cargo de confiança a contribuir com o partido, conforme rege estatuto e regimento partidário.
AL: Sua candidatura representa uma ala crítica dentro do PT. O que especificamente o levou a disputar esta eleição num momento de tantas divisões internas no partido?
FF: Somos candidato por discussão e reflexão de parte do partido descontente com a asfixia, submissão e perda de protagonismo político do partido, envolvido em alianças que só subtraíram do PT sua história, sua força, seu crescimento e o tornam em Pernambuco uma espécie de puxadinho do PSB.
AL: Você usou o termo ‘coronéis’ para descrever grupos que dominam o PT em Pernambuco. Poderia identificar quem são esses atores e apresentar seu plano concreto para democratizar o partido?
FF: A CNB corrente que hora detém maioria e seus satélites, são principais responsáveis pela inanição do PT em PE, uma direção burocrática que não debate, não vai as ruas, não acompanha as lutas sociais, não forma politicamente não disputa politicamente e está atrelada a táticas eleitorais ditadas de cima pra baixo de últimas horas em períodos eleitorais. Um partido sem força e sem voz, que inclusive se revela no fato que no governo Lula tem 6 ministros de PE e nenhum deles é do PT.
AL: Em avaliação à aliança PT-PSB no estado, você afirmou que o PT virou ‘sócio menor’. Essa parceria ainda vale a pena? Até que ponto o partido deve ceder para manter essa coalizão?
FF: Fazer alianças faz parte do processo político, no entanto aqui temos submissão política com nome de alianças. O PT não se apresenta pra disputas, não bota cartas na mesa, portanto não joga… Se queremos respeito temos que ter coragem e ousadia pra disputar, afinal, a história do PT foi de coragem pra disputar, assim foi que governamos o Recife por três mandatos e o Brasil por cinco vezes.
AL: Nas últimas eleições municipais, o PT sofreu expressivas derrotas em Pernambuco. Na sua análise, qual foi o principal erro de estratégia e como o partido deve se reposicionar?
FF: O PT colheu o que plantou no Recife, foi covarde, inventou uma tática de indicar vice sem combinar com o “aliado” do PSB, foi defenestrado e humilhado publicamente expondo dois quadros ao ridículo público. Teve redução de bancada e apenas 2 mil votos de legenda, onde no passado que disputamos chegamos ater 40 mil votos de legenda. A submissão, a covardia, a bajulação ao PSB cobraram seu preço amargo.
AL: Com o crescimento da direita bolsonarista no estado, qual deve ser a estratégia do PT: enfrentamento direto, disputa de narrativas ou construção de uma agenda alternativa?
FF: Para enfrentar a direita precisa ter nitidez política e ideologicamente, não esconder nossa história de partida do horizonte socialista, manter laço com a vida real do povo nos seus locais de trabalho e moradia, não ter medo de se dizer de esquerda, ter coerência e coragem política e se apresentar como partido do presidente Lula, o partido que em 9 eleições presidenciais ganhou 5 e ficou de vice nas outras 4. Portanto um projeto progressista de esquerda e de massas.
AL: Muitos eleitores históricos afirmam que ‘o PT não é mais o mesmo’. Como você responde a essa crítica e que elementos do PT original precisam ser revitalizados?
FF: Claro que o PT atual não é mesmo de sua fundação, o mundo não é mais o mesmo, novas relações de trabalho e formas de comunicar mudaram, no entanto, a exploração capitalista, a luta de classes não acabou, pelo contrário se sofisticou e exige talento, engenho e arte para ser travada. O capitalismo não acabou, portanto, a luta para combate-lo continua mais atual que nunca, por isso a importância do PT se renovar e se reciclar nesses tempos duros de guerra real, cultura e ideológica.
AL: Que recado você deixa para militantes, simpatizantes e críticos do PT? Por que acreditarem no futuro do partido?
FF: Por tudo que falamos somos fruto das lutas históricas do povo trabalhador, lhes damos sequência e lutamos por um outro mundo possível: fraterno, solidário, justo, democrático e SOCIALISTA! O PT é necessário e fundamental por ser o maior partido de massas e de esquerda do continente.







