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O resultado do último processo de eleições diretas (PED) do Partido dos Trabalhadores refletiu, evidentemente, a vontade da maioria da sua militância, mas desapontou uma parte significativa daqueles que esperavam eleger novos nomes não só para oxigenar a sigla, como também para garantir uma ruptura com as propostas tradicionais dos dirigem o partido na capital e no estado há anos.
A nível estadual, o eleito foi o deputado federal Carlos Veras e, no diretório do Recife, o escolhido foi o vereador e líder sindical Osmar Ricardo. Quem também pleiteou a presidência do diretório municipal foi o cientista político e professor Pedro Alcântara, militante ativo e ligado ao deputado estadual João Paulo (PT).
Em 25 de junho, este repórter teve a oportunidade de almoçar e conversar com o jovem militante de 36 anos, natural do Ibura, Zona Oeste do Recife. Na ocasião, o Blog reportou o resultado daquela entrevista, que apresentou uma liderança ousada, disruptiva e divergente dos rumos do partido até então.
Mesmo tendo poucas chances diante de nomes tão tradicionais que disputavam o cargo, sua candidatura foi provocativa, visto que suas defesas falavam de um PT com um projeto político firme e independente. Mesmo não sendo eleito, Alcântara se manteve ativo na militância e participando de todos os processos internos e decisões políticas do partido até aqui.
Nova composição
Já neste fim de semana, o diretório estadual, surpreendentemente, escolheu Pedro para ocupar a vice-presidência da sigla, ao lado de Felipe Cury, Cícera Nunes e Cirilo Mota.
O alto escalão do diretório também foi composto por Sérgio Goiana (finanças), Oscar Barreto (organização) e Ângela Cristina (secretária-geral).
Reconhecimento e posicionamento
Em entrevista exclusiva ao Blog, Pedro comemorou a conquista e afirmou que se trata de uma vitória que o reposiciona no partido e um reconhecimento que fortalece sua militância.
“Me tornar vice-presidente estadual do PT é uma alegria e uma responsabilidade grande. Também entendo como um reconhecimento da nossa luta, o que nos consolida no PT. Espero poder ajudar o presidente Carlos Veras e representar bem a militância petista no estado”, disse.
Pedro defende um partido mais independente, sem “subordinação” e “dependência” a outras legendas, assumindo, assim, um maior protagonismo nas decisões políticas. O petista tem fortes críticas à aliança do PT com o PSB no município, por exemplo, corroborando a opinião de quadros históricos do partido, como o ex-deputado Fernando Ferro.
Na ocasião da entrevista a este Blog, Alcântara foi categórico em defender alianças, desde que isto não torne o partido subordinado ou refém das decisões de outras siglas.
Para parte da militância petista, a eleição de Pedro é uma chance de trazer outras discussões para a legenda.






