No embate entre “Raquel X Alepe”, quem perde? Essa e outras tantas reflexões foram tema central de uma reportagem de José Matheus, correspondente de Pernambuco na Folha de São Paulo, nesta sexta-feira (20).
Conforme a apuração e análise do jornalista, a polarização entre Raquel Lyra e João Campos, assim como a antecipação das eleições de 2026, tem prejudicado à governadora na tramitação de pautas de interesse do Executivo.
A “última” é o novo embate envolvendo a estagnação de um empréstimo de R$ 1,5 bilhão para captar recursos para obras estruturantes, o que pode ser crucial para a virada de chave da ex-tucana no quesito popularidade. Além disso, a nomeação do administrador de Fernando de Noronha antes da sabatina dos deputados não repercutiu bem politicamente.
De acordo com a reportagem da Folha de S. Paulo, a oposição, incisivamente, neste ano, tem colocado obstáculos para votações. No que diz respeito ao empréstimo, os parlamentares cobram mais detalhes e informações sobre os gastos do governo e apontam que outros R$ 9,2 bilhões já foram aprovados desde 2023 para o governo de Raquel usar em investimentos.
O deputado Antônio Coelho não se furtou de criticar os pedidos de empréstimos e indicar que o governo supostamente não tem “capacidade” de execução.
Mesmo com 1,5 bi travados desde março, Raquel enviou, no início deste mês, mais um pedido de 1,7 bi, o que foi interpretado como um tipo de pressão da governadora. Além disso, outro ponto de contenda foi a manobra política de Raquel, em nomear o advogado Virgílio Oliveira como administrador interino de Fernando de Noronha, antes de ser sabatinado pela Casa Legislativa.
“Dois coelhos numa cajadada só”
Além de garantir uma suposta antecipação da gestão de Virgílio no arquipélago, a indicação integra uma estratégia política da governadora em atrair o Avante para sua base, visto que Virgílio é filho do deputado federal Valdemar Oliveira (Avante). A sabatina deve ocorrer ainda em agosto.
Com o recesso parlamentar batendo na porta, a votação do primeiro pedido de empréstimo, de R$ 1,5 bilhão, deve ocorrer somente no segundo semestre. Outro gargalo enfrentado pela governadora está no comando das três comissões pêndulos da Alepe, comandadas por opositores.
Ainda assim, Raquel busca fortalecer seu partido, o PSD, para a corrida eleitoral de 2026. Das 184 cidades, Raquel já conquistou 68, sendo o maior número de gestores municipais em Pernambuco. A aposta nos prefeitos como cabo eleitorais pode ajudar a governadora a reverter o cenário de favoritismo de João Campos.







