Os líderes do governo e da oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco, Socorro Pimentel (União Brasil) e Diogo Moraes (PSB), em entrevista ao Diário de Pernambuco, repercutiram suas impressões sobre o primeiro semestre na Casa Legislativa.
A entrevista com os parlamentares girou em torno principalmente de questões como o relacionamento com o executivo e o entrave de discussões de interesse da governadora. Classificando a relação entre Raquel e a Alepe como “conflituosa”, Moraes afirma que após a perda do comando de comissões pêndulos na Casa, a governadora começou a usar o regime de urgência como um tipo de “padrão” para tramitação de projetos. “A relação sempre foi conflitante. Falta um diálogo bem feito. À medida que ela perdeu todas as comissões mais criteriosas, todos os projetos do Governo, sem exceção, usaram o regime de urgência como subterfúgio. A falta de diálogo e o não pagamento das emendas continuam, e a relação tende a ficar mais conflituosa pelo próprio comportamento do Governo. Os projetos de Lei vêm sendo aprovados mediante as suas necessidades”, disse.
Em contrapartida, na visão de Socorro Pimentel, aliada e líder do governo, o desgaste está mais associado ração da relação em 2024 tem mais relação com a antecipação da disputa eleitoral de 2026. Opinião semelhante a do deputado estadual João Paulo (PT), conforme registro do Blog do Yan Lucca. “A oposição relata que foi a questão do não pagamento das emendas parlamentares. Do nosso ponto de vista, foi antecipação eleitoral. A disputa de 2026 está pesando muito aqui na Casa”, afirmou.
Emendas parlamentares
A falta de pagamento das emendas parlamentares foi apontada por Diogo Moraes como o principal ponto de desgaste. Segundo Moraes, o Governo segue inadimplente com os valores de 2024 e não pagou absolutamente nada em 2025. “A governadora segue não pagando as emendas. O semestre encerrou, sabemos que cada mês que passa a fatura vai ficando um pouco mais alta para diminuir o pagamento das emendas mês a mês. Quando voltarmos em agosto, essa discussão vai ficar mais acalorada. O tempo vai passando e os prefeitos e instituições vão cobrando. Precisamos ter celeridade para pagar. No começo do ano, queríamos que ela pagasse o restante de 2024, que não foi pago ainda. Algumas coisas estão sendo acertadas a conta gotas, mas não da forma que era para ser. E em 2025, não foi pago absolutamente nada”, afirmou.
Já Socorro Pimentel reconhece haver emendas não pagas, mas atribui parte do problema a entraves técnicos nas instituições beneficiadas. “Algumas emendas não foram pagas por uma questão técnica junto às instituições que os deputados colocaram os recursos. Eu disponibilizei para cada deputado um arquivo com o conjunto das emendas para que eles possam ir às instituições tentar reverter o entrave. Mas o pagamento em 100% nunca vai ser feito. 20% a 30% dessas emendas eram pagas em gestões anteriores, que esses próprios deputados defendem. Eles sabem da dificuldade. E tem muitas emendas minhas que estão travadas por conta de questões técnicas. Ainda assim, é bom ressaltar que este é o governo que mais pagou emenda na história”, pontuou.
Raquel Vs Alepe
No quesito reconciliação e relacionamento, a deputada demonstra otimismo, enquanto Moraes acentua a crítica a ex-tucana, pontuando, inclusive, um episódio em que a governadora foi “rude e arrogante” com o presidente da Assembleia, o que evidenciaria, segundo o deputado, um suposto desprezo pelo diálogo institucional.
“A governadora nunca quis uma relação mais estável com a Assembleia. Inclusive, o presidente da Casa disse que ela foi muito rude e arrogante em suas ligações por telefone com ele. Isso mostra que não há menor vontade da governadora em ter essa relação mais estável, de reciprocidade. Queremos uma relação de união com o povo de Pernambuco”, comentou.
Empréstimos
Comentando a questão dos empréstimos, a deputada responsabiliza a oposição por dificultar o avanço dos projetos, mesmo com as respostas do Executivo às comissões. E afirma que obras importantes, como o Arco Metropolitano e a duplicação da BR-232, estão sendo prejudicadas pela obstrução da pauta.
“Obras como o Arco Metropolitano, a duplicação da BR-232, a requalificação dos grandes centros hospitalares, impactam diretamente a vida das pessoas de todo o Estado. O entrave foi criado por dificuldades impostas pelos próprios deputados da oposição. Não é a Casa, nós temos maioria. Se os projetos forem para o plenário, seriam aprovados”, disse.
Já para Diego Moraes, o Governo não tem demonstrado capacidade de executar os empréstimos já autorizados: dos R$ 9,3 bilhões aprovados, só R$ 1,4 bilhão foi captado.







