Em especial para o Blog do Yan Lucca, o repórter Alexandre Júnior entrevistou com exclusividade o Candidato à presidência nacional do PT, Edinho Silva.
O Blog já entrevistou Valter Pomar, Pedro Alcântara, Carlos Veras e Fernando Ferro e Rui Falcão. As entrevistas podem ser conferidas no site.
Confira a seguir as respostas do candidato.
Entrevista com Edinho Silva
Edinho por Edinho: Antes de falarmos sobre política, conte quem é Edinho. Como sua trajetória pessoal e militância moldaram sua visão de esquerda?
Sou filiado ao PT desde 1985. Fui presidente do Diretório Municipal do PT de Araraquara, coordenador regional e estive à frente da campanha de 89 na cidade e região. Me formei politicamente nos movimentos populares, em especial das Pastorais da Igreja, desde muito jovem. Fui da Pastoral da Juventude, da Pastoral Operária e da Pastoral dos Migrantes.
Fui office-boy, operário da Fábrica de Meias Lupo, e metalúrgico. Me formei em Ciências Sociais pela Unesp de Araraquara e fiz mestrado em Engenharia de Produção pela Federal de São Carlos. Em 1992, fui eleito vereador de Araraquara e reeleito em 96. Depois, fui eleito prefeito de Araraquara por quatro vezes (2001 a 2008 e 2017 a 2024). No último governo, tornamos nossa cidade referência no enfrentamento à Covid no Brasil, investindo fortemente na ciência e contrapondo à política genocida do governo Bolsonaro.
Ainda na Prefeitura, colocamos em prática uma série de programas de inclusão social, inclusive por meio do esporte e cultura, implantamos o Orçamento Participativo, fomentamos as cooperativas e a economia criativa e solidária, também investimos em políticas de segurança alimentar, as quais foram premiadas no 8º Fórum Global do Pacto de Milão. Também criamos uma estrutura forte de atendimento na cidade como a Casa Abrigo para mulheres vítimas de violência, a Casa de Acolhida das Mulheres e o Centro de Referência da Mulher. Criamos a Casa de Acolhida LGBTQIA+, uma das primeiras públicas do Brasil, assim como os Centros de Referência do Autismo, da Juventude, Afro, dentre outras políticas públicas de enfrentamento e combate ao preconceito e construção da igualdade.
Também fui presidente do PT do estado de São Paulo, eleito em 2007, e reeleito em 2010, com mais de 90% dos votos dos filiados. Estive ainda como deputado estadual por São Paulo (2011-2015) e ministro da Comunicação do segundo Governo Dilma. Tudo isso me ensinou o valor do trabalho, da organização coletiva e da solidariedade.
Sobre o PED e Democracia Interna: Como avalia o atual modelo de eleição direta (PED) no PT? Há espaço para mais transparência e participação da base?
O PED demonstra a força democrática interna do PT. Ter várias candidaturas é mérito, não problema. É fruto de um partido que dialoga e mobiliza sua base cotidianamente.
Mas precisamos avançar: implementar o fortalecimento das nossas instâncias, aprofundar a democracia interna, inclusive na transparência financeira. Garantir que a participação ocorra em todos os níveis — zonais, municipais e estaduais —, com democracia real e efetiva. Temos que dar peso de instância para os núcleos de base.
Sobre Conjuntura e 2026: O PT enfrenta desafios como o avanço da extrema-direita e a fragmentação da esquerda. Como pretende unir as forças progressistas?
A direita fascista está organizada e tem capilaridade no Brasil e no mundo. Por isso precisamos fortalecer o PT como instrumento coletivo, democrático e plural.
Devemos convocar o campo democrático: integrar partidos progressistas, movimentos sociais e a sociedade civil num amplo projeto contra o fascismo. É hora de construir pontes, não muros.
A democracia precisa derrotar o fascismo. A verdade precisa vencer a mentira. É papel do PT enfrentar as mentiras que ameaçam o Brasil. O avanço do fascismo não é um fenômeno isolado — no século XX, vimos líderes como Mussolini, Franco, Hitler e Salazar se consolidarem em diferentes países. Precisamos criar as condições para derrotar o fascismo no Brasil. Se o Brasil, com sua dimensão, derrotar o fascismo, dará uma contribuição essencial ao mundo contra a ascensão da extrema-direita.
Sobre o PT e Governo Lula: Como o PT deve se posicionar em relação ao governo Lula?
O PT deve ser apoio incondicional às políticas de inclusão e reconstrução nacional, mas com crítica construtiva sempre que necessário. Governo Lula está trabalhando para reconstruir um país — que teve todas as suas políticas públicas arruinadas no Governo anterior — mesmo herdando uma dívida bilionária.
O presidente está arrumando “a casa”, e já temos mostrado nossa capacidade de trabalho como o retorno de programas importantes como Minha Casa, Minha Vida, o PAC. Lançamos outros também importantes como o “crédito do trabalhador”, o Pé de Meia (que precisa ser universalizado) para que a gente garanta os jovens das famílias vulneráveis na escola.
O Presidente Lula mandou para o Congresso Nacional o projeto para isentar os trabalhadores e trabalhadoras do pagamento do Imposto de Renda, bem como quer estabelecer que quem, injustamente não paga por ganhar muito, passe a pagar. Não pode o trabalhador e a trabalhadora que paga impostos, inclusive quando compra o pão na padaria, o arroz e feijão no mercado, pague a conta de uma minoria que ganha muito e não paga impostos.
Somos o partido que coloca o povo no centro das preocupações e isso exige vigilância para que o compromisso com justiça, transparência e democracia siga firme — até após Lula, quando ele não disputar mais eleições.
Propostas Programáticas: Quais suas principais bandeiras e como enfrentar um Congresso conservador?
O PT precisa ter coragem. Coragem pra enfrentar seus desafios, voltar para à base de forma programática, ouvir o povo, entender os seus anseios e reafirmar suas bandeiras históricas. O PT precisa voltar a encantar, especialmente a juventude.
Precisa ser um partido com ideias inovadoras, que toque o coração do povo e o convoque para a luta, movido pela esperança. Precisamos investir no fortalecimento das instâncias partidárias e retomada de forma prioritária dos núcleos de base do PT como forma de organização e de disputa política nas periferias.
Precisamos fortalecer o diálogo com a nova classe trabalhadora e trabalhar pela reeleição do presidente Lula.
Penso que precisamos retomar a participação popular, o Orçamento Participativo como bandeira prioritária do PT e dar centralidade à pauta da economia solidária. Também precisamos priorizar os debates da transição energética e da segurança pública e retomar, de forma central, a defesa pela universalização da educação integral e da primeira infância.
Vamos lutar por fortalecer direitos adquiridos e estender proteção a trabalhadores informais. Isso será possível se o PT organizar a base, construir alianças estratégicas e usar nosso peso social para pressionar um Congresso cada vez mais conservador.
Juventude e Renovação: Como aumentar a representação de mulheres, negros e LGBTQIA+ no PT?
É urgente ampliar a diversidade nos espaços de decisão. Proponho ampliar a participação com protagonismo para juventude, mulheres, negros e LGBTQIA+, povos originários, garantindo orçamentos específicos para os setoriais e secretarias.
Precisamos ouvir esses grupos, apoiá-los politicamente e formar novos quadros — para que o PT reflita o Brasil real, plural e inclusivo. É urgente a transição geracional no PT.
Movimentos Sociais: Qual deve ser o papel dos movimentos sociais no PT sob sua liderança?
Os movimentos sociais e o movimento sindical são a alma do PT. Sob minha presidência, vamos estabelecer canais permanentes de diálogo, participação e construção coletiva, retomar o orçamento participativo e fortalecer conselhos populares com peso estratégico na construção das nossas políticas de disputa de rumos na sociedade.
Além disso, vamos reaproximar setores que se afastaram porque precisamos de unidade no campo democrático-popular para enfrentar os desafios postos, principalmente na derrota do fascismo.
História e Erros do PT: Qual o maior legado e o erro que não pode se repetir?
Nosso maior legado é a transformação social: políticas públicas como o Bolsa Família, habitação popular e inclusão social. Além de termos apresentado ao Brasil um projeto de desenvolvimento nacional, temos que atualizar as nossas formulações, valorizando o nosso legado.
Mas precisamos dialogar com a nova classe trabalhadora, com as comunidades religiosas — principalmente as evangélicas —, que se afastaram de nós no último período. Temos que priorizar o diálogo com a juventude — permitindo o avanço do antissistema caracterizado pela direita. Por isso, precisamos reconstruir pontes na atual sociedade, diversa e complexa.
Mensagem Final: Que recado você deixa para militantes, simpatizantes e críticos do PT?
Militantes, filiados e filiadas:
Vamos construir um PT forte, democrático, plural e protagonista. Vamos manter o partido enraizado nas periferias, sindicatos e movimentos sociais.
Garantir que a militância seja protagonista nas disputas eleitorais e nas definições partidárias. Vamos, juntos, fortalecer o PT como ferramenta política, democrática e presente no dia a dia do povo. Com o PT Forte teremos um Brasil mais justo.






