O projeto que homenageia Tibira Tupinambá, indígena executado em 1614 em razão de sua orientação sexual e identidade de gênero, foi aprovado na Câmara do Recife. A iniciativa reconhece um dos primeiros registros de violência motivada por LGBTI+fobia no Brasil.
“Arretado que conseguimos aprovar o projeto que faz a justa e necessária homenagem a Tibira Tupinambá, pessoa indígena executada em 1614 simplesmente por conta de sua orientação sexual e identidade de gênero. O caso é o primeiro registro no Brasil de morte provocada por LGBTI+fobia”, comentou Ivan Moraes, jornalista e ex-vereador, autor da proposição.
O nome “Tibira” é usado por povos indígenas para se referir a pessoas com sexualidades e identidades de gênero dissidentes. No caso do personagem histórico conhecido como Tibira do Maranhão, trata-se do primeiro assassinato de uma pessoa LGBTI+ cometido pelo Estado brasileiro, ainda no período colonial.
A memória de Tibira tem sido resgatada por pesquisadores e ativistas, que defendem seu reconhecimento como mártir da população LGBTQIAPN+. Um dos principais responsáveis por esse resgate é o sociólogo e antropólogo Luiz Mott, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB).
Em 2018, Mott publicou o livreto São Tibira do Maranhão — Índio Gay Mártir, reunindo documentos e relatos sobre a execução de Tibira pelas forças coloniais portuguesas. A publicação também contextualiza o assassinato no cenário repressivo da colônia em relação à diversidade sexual.
Desde então, a figura de Tibira tem sido central em campanhas que buscam valorizar sua trajetória, denunciar a violência histórica contra pessoas LGBTQIAPN+ e defender sua canonização simbólica como forma de reconhecimento e reparação simbólica.






