Foto: Yan Lucca / Blog Imagem

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Apesar dos recentes anúncios do governo estadual sobre o enfrentamento à criminalidade nos municípios e a queda nas Mortes Violentas Intencionais (MVI), oposicionistas seguem na campanha de desconstruir a suposta narrativa apontada como estratégia do governo que se utiliza de um tipo de “maquiagem nos números”.

No início desta semana, o Governo do Estado formalizou um acordo com a União das Nações Unidas (ONU) visando ampliar o combate à violência em todo território estadual. A medida envolve inicialmente 10 cidades que terão um plano de prevenção à criminalidade. Segundo o Governo, a expectativa é que seja feita a expansão para 42 municípios até o fim de 2025.

Através do programa “Juntos Pela Segurança”, coordenado pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Prevenção à Violência (SJDH), com assistência técnica do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), as cidades terão apoio na criação de políticas locais com base em dados e escuta da população. Nesta primeira etapa, as seguintes cidades serão contempladas: Aliança, Vicência, Igarassu, Olinda, Moreno, Ipojuca, Palmares, Caruaru, Bezerros, São José da Coroa Grande.

Porém, mesmo com os esforços, a governadora Raquel Lyra (PSD) tem como um dos maiores gargalos da sua gestão a questão da segurança pública. Sabe-se que desde que assumiu o Estado, assim como fez Eduardo Campos enquanto governador, Raquel faz questão de acompanhar de perto as reuniões de planejamento da Secretaria de Defesa Social (SDS), sempre cobrando da pasta e do secretário Alessandro Carvalho mais entregas e melhorias nos números. Os esforços certamente não passam batidos para os bons observadores da política estadual.

Mesmo apresentando bons números, como o recente anúncio de que Pernambuco performa seu 14º mês consecutivo nas reduções das mortes violentas, sem trégua, lideranças, adversários políticos seguem engajados nas cobranças.

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No fim do mês de junho, durante a uma audiência pública na Assembleia Legislativa para debater a implementação da Lei Orgânica Nacional das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares, o deputado federal coronel Meira (PL-PE) subiu o tom em críticas à governadora.

Chegou a afirmar que nunca viu “nenhum governador ser reeleito sem apoio da Polícia Militar” e foi além: disse que votou, mas não votará mais em Raquel, uma vez que supostamente, segundo o parlamentar, a governadora “não apoia a Polícia Militar” e a “segurança pública de Pernambuco”. As falas tiveram grande repercussão nas redes sociais.

Na mesma linha, entidades como o Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (SINPOL-PE), seguem engajados nas cobranças quanto a ações concretas para garantir uma verdadeira redução na violência. Vale salientar que o líder da categoria, Áureo Cisneiros, está respondendo um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) aberto pela SDS para apurar se o comissário de polícia violou as regras de conduta ou deveres funcionais previstos no estatuto da Polícia Civil.

O Sindicato repudiou a medida e interpretou a ação como “afronta à liberdade de expressão” e “uma tentativa de intimidar quem luta pela valorização dos Policiais Civis de Pernambuco”, como registrou o Blog do Yan Lucca, na época.

Nas redes sociais, influenciadores relembraram uma reportagem da revista Exame tratando sobre ranking das 50 cidades mais violentas do mundo em 2024, conforme um levantamento da ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal. Das 50 cidades, duas estão em Pernambuco.

Recife, na Região Metropolitana e Caruaru, no Agreste, cidade que Raquel foi prefeita por dois mandatos. O assunto, claro, chama atenção e sempre gera dor de cabeça para o Palácio.

A cidade do Cabo de Santo Agostinho, por exemplo, vive uma verdadeira guerra contra a criminalidade. Adversário político da governadora e aliado do socialista João Campos, o prefeito Lula Cabral (SD) chegou a recorrer ao Palácio através de um ofício para pedir a criação de uma força-tarefa com atuação conjunta de policiais civis, federais e estaduais para enfrentamento da violência. O pedido foi negado por Raquel sob argumento que o estado vive avanços na redução da violência.

Entre deputados estaduais o assunto também virou destaque. “A presença de tropas federais pode dar um respaldo importante às ações locais. Do jeito como está, não dá para continuar”, chegou a defender o deputado estadual Joel da Harpa (PL), presidente da Comissão de Segurança Pública na Alepe, sobre a insegurança no Cabo.

Com as eleições no retrovisor, pelos próximos meses a previsão é que a governadora acelere ainda mais as entregas e garanta ações mais eficazes no enfrentamento a violência. Segundo fontes ligadas a governadora, é importante para o projeto de reeleição de Raquel ter a questão da segurança pública como vitrine da sua gestão. A conferir.

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