Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República
Nesta quarta-feira (23), o prefeito do Recife, João Campos (PSB), esteve em Brasília-DF para uma reunião com o presidente Lula da Silva (PT). O encontro também contou com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), do ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França, da ministra das Relações Institucionais, Gleide Hoffmann, e do deputado federal Pedro Campos (PSB).
De acordo com uma publicação em seu perfil oficial, Campos informou que a pauta da reunião no Palácio do Planalto girou em torno do “tarifaço” imposto por Donald Trump ao Brasil, em 50% a partir de agosto.
Porém, nas entrelinhas, sabe-se que o encontro também teve um teor político, visto que Campos é um dos nomes mais cotados na disputa de 2026, contra a governadora Raquel Lyra (PSD).
Na semana passada, a revista Veja publicou uma reportagem afirmando que a aliança PT-PSB poderia ser rompida até 2026, caso o presidente Lula considerasse um palanque duplo no estado, apoiando a candidatura de João e de Raquel.
Um interlocutor ligado ao alto escalão socialista afirmou à revista que, na possibilidade de coligar o PT com Raquel, até mesmo um projeto nacional estaria ameaçado. Ainda conforme a fonte ouvida pela Veja, a falta de posicionamento de Raquel nas eleições presidenciais, se beneficiando do voto bolsonarista e do voto petista, criou um distanciamento da possibilidade no apoio ao projeto político do PSD em Pernambuco.
“O PT em Pernambuco é nosso aliado, e nós somos aliados do PT e do presidente Lula. Como é que a gente não vai ter o apoio deles por causa de uma governadora que, no segundo turno da eleição de 2022, quando qualquer democrata declarou voto a Lula, ela não declarou voto e até hoje não disse em quem votou, até hoje não diz para que lado é, e que está em um partido que não estará com o presidente Lula”, disse.
Como a governadora supostamente nunca esteve na base governista, não é possível traçar uma linha de comparação com o palanque duplo de 2006, quando Lula esteve ao lado de Humberto Costa (PT) e de Eduardo Campos (PSB), contra Jarbas Vasconcelos (MDB).
Porém, resta saber se o PT estadual concordará com isto, visto que grandes nomes da sigla integram a base da governadora Raquel Lyra, a exemplo de todos os deputados petistas que, embora oposição, costumam votar majoritariamente com o governo. O mesmo conflito interno se viu no PT municipal em 2024, quando uma ala estava dividida apoiando a reeleição de Campos, enquanto uma parcela significativa — esta mais radical — defendia uma candidatura própria. Na época, a este repórter, o ex-deputado Fernando Ferro, uma das maiores lideranças do PT, afirmou que o partido estaria tentando “entrar na prefeitura pela janela” em uma relação de subordinação e dependência com os socialistas. Aquela havia sido a única vez que o partido não havia lançado candidatura no Recife.
João Campos, enquanto presidente nacional do PSB, já deixou claro que o partido não abre mão da permanência de Alckmin na vice-presidência em um eventual projeto político de reeleição. Na sua postagem ao lado de Lula, Campos reafirmou a aliança com o Governo Federal. “Excelente conversa sobre o atual momento do país, defesa da soberania e um conjunto de pautas importantes para o Brasil. Nosso partido seguirá, em alinhamento com o governo do presidente Lula e de Geraldo Alckmin, contribuindo para o desenvolvimento de ações e de políticas públicas que melhoram a vida da população”, escreveu.
Resta saber quais serão os próximos passos desta aliança. A conferir.






