Foto: CBTU / Reprodução / Instagram

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Na última semana, o superintendente da Área de Infraestrutura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Felipe Borim, divulgou o resultado do mais recente mapeamento sobre o transporte público coletivo de média ou alta capacidade. As informações foram apresentadas no encontro “Caminhos do Brasil”, uma iniciativa dos jornais O GLOBO, Valor Econômico e da rádio CBN.

Também participaram a diretora-executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil), Clarisse Cunha Linke, e o ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho.

De acordo com os resultados apresentados, o Brasil precisa dobrar o tamanho do seu sistema de metrô e quadruplicar o de BRT e VLT (veículo leve sobre trilhos) nas próximas décadas.

O plano está sendo construído em conjunto com o Ministério das Cidades e prevê um investimento de até R$ 500 bilhões até 2054. Ainda conforme as informações dadas por Borim, o BRT tem se mostrado importante. Mesmo não sendo tão eficiente quanto o transporte sobre trilhos, o custo de implementação está na casa de R$ 50 milhões por quilômetro, enquanto o metrô pode chegar até R$ 1 bilhão por km.

Após o mapeamento, o governo federal também construirá, com os entes, uma lista de prioridades sobre quais projetos terão recursos alocados neste primeiro momento. De acordo com o ministro Jader Barbalho, serão investidos nos próximos anos R$ 42 bilhões na área.

O Estudo Nacional de Mobilidade do BNDES também apontou que a rede base de metrô brasileira (que já está construída e a que está em fase de implementação) chega a 376 quilômetros. O previsto pelo plano é um acréscimo de mais de 323 quilômetros. Enquanto isso, o BRT, VLT ou monotrilho — categorias aglutinadas no estudo — cresceriam de 631 para 2,5 mil quilômetros.

O pensamento é: todas as cidades devem ter BRT e metrô se completando. No caso do BRT, apenas São Paulo está prevendo uma ampliação da sua malha, acrescendo 96 quilômetros aos 308 que existem atualmente, enquanto o metrô passaria de 326 quilômetros para 483 em três décadas.

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Quando o recorte do estudo é feito no sistema ferroviário da Região Metropolitana do Recife (RMR), atualmente comandado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), não há previsão de expansão, de acordo com o levantamento. A rede atual contempla 38 quilômetros, e, mesmo sendo tão sonhada, a ampliação parece estar longe de se tornar realidade.

Na verdade, para quem conhece de perto as dificuldades do metrô do Recife, sabe que a prioridade da empresa é outra: manter o sistema funcionando com o mínimo e evitando possíveis colapsos.

De todas as grandes cidades mencionadas no estudo, apenas Recife e Curitiba não preveem a ampliação de suas malhas.

Já nos BRT, VLT e monotrilhos, que estão aglutinados no levantamento, a capital pernambucana conta com 31 quilômetros atualmente e a previsão é que, nos próximos anos, esse número chegue a 81 quilômetros.

Em dezembro do ano passado, o Governo de Pernambuco chegou a definir onde aplicaria os recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal. E, após negociação com a Casa Civil, ficou definido que os recursos seriam para “corredores de mobilidade na Região Metropolitana do Recife – RMR”.

A obra já tem uma década de atraso, visto que era prometida para a Copa do Mundo de 2014, quando os BRT iriam levar os torcedores até a Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata. Antes, os recursos estavam previstos para serem aplicados em parte pela concessionária dos corredores de mobilidade. Agora, segundo a gestão, o Estado vai aplicar os recursos diretamente por meio de obras públicas.

Na época, as informações divulgadas davam conta de módicos R$ 258.770.561,53 (duzentos e cinquenta e oito milhões, setecentos e setenta mil, quinhentos e sessenta e um reais e cinquenta e três centavos) liberados pelo Governo Federal.

Já para o sistema metroviário, o Blog do Yan revelou em primeira mão, em julho, que a CBTU recebeu, através do novo PAC, cerca de R$ 10 milhões para serem investidos na troca de trilhos.

Porém, o valor tornou-se ínfimo diante das necessidades enfrentadas pela Companhia. Segundo o METRO-REC, para garantir a estabilidade do sistema, são necessários valores na ordem de R$ 1,7 bilhão. Este ano, o valor aprovado pela União foi de R$ 165 milhões. Mas os planos para o metrô do Recife são outros.

No mês de maio, o Governo Federal publicou no Diário Oficial da União a autorização para o início do processo de concessão do sistema. O trâmite será conduzido pelo próprio BNDES. O leilão é previsto para ocorrer no 4º trimestre de 2026. A conferir.

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