Foto: Roberto Soares / Alepe
No início desta semana, a deputada estadual Dani Portela (PSOL) foi alvo de acusações sobre a suposta contratação de uma empresa “fantasma” ligada ao seu gabinete. Reportagens publicadas em alguns blogs pernambucanos indicavam uma denúncia anônima ao Ministério Público de Contas de Pernambuco, apontando indícios de que a parlamentar contratou, via verba de gabinete, uma empresa de consultoria técnica pertencente a um familiar.
O caso ganhou repercussão nas redes sociais, sobretudo porque a notícia surgiu uma semana após a deputada protocolar o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas irregularidades no contrato de publicidade do Governo Estadual.
Dani classificou as acusações como “cortina de fumaça” para tentar intimidá-la e desviar o foco da CPI instaurada. Em discurso inflamado na tribuna da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), a parlamentar voltou a negar motivação pessoal contra a governadora Raquel Lyra (PSD). “Eu defendo a comunicação pública, a propaganda para chamar os alunos para creche, para campanha de vacinação, para mostrar como é bonito o nosso estado. O que não pode é uso político de uma verba pública. É isso que a comissão quer olhar, de onde estão partindo esses ataques coordenados e com qual recurso eles foram pagos”, declarou.
Ainda na tribuna, Dani afirmou que as publicações teriam sido “orquestradas” para prejudicar sua imagem. A deputada recebeu apoio e solidariedade de alguns colegas parlamentares, mas sua iniciativa, vista como “perseguição à governadora”, também foi alvo de críticas.
Izaías Régis (PSDB), Antônio Moraes (PP) e Renato Antunes (PL), aliados políticos de Raquel, repudiaram os ataques sofridos por Dani, mas se manifestaram contra a criação da CPI. Antunes classificou a iniciativa como “uma tentativa desesperada de travar um governo que quer entregar para Pernambuco”, enquanto Moraes afirmou que “nenhum governador na história de Pernambuco sofreu uma perseguição igual”.
Denúncia contra Dani Portela
No documento divulgado por blogs e portais, constam dados sobre a contratação da empresa do tio de seu marido, Jesualdo Campos, para prestar “consultoria técnica”.
De acordo com a denúncia, a contratação rendeu R$ 457,2 mil à empresa, criada cinco meses após Dani assumir o mandato. Vinte e quatro dias depois de sua constituição, a empresa passou a prestar “consultoria e trabalhos técnicos” ao gabinete da deputada.
Nota à imprensa
“Recebo com indignação, mas não com surpresa, essa denúncia infundada. Todos os contratos de prestação de serviços ligados ao meu gabinete são regidos pela mais absoluta legalidade, sendo submetidos à análise rigorosa da procuradoria da Alepe e passam por auditorias anuais, não havendo qualquer irregularidade identificada. A empresa em questão presta serviços de automatização dos dados do meu gabinete, sendo imprescindível a relação de confiança, com remuneração compatível com o mercado. Tal serviço é prestado presencialmente em expediente diário na própria estrutura da Alepe. Nosso gabinete tem muito zelo sobre a coisa pública, sendo, inclusive, uma das parlamentares que mais devolveu os valores disponíveis na verba indenizatória, totalizando cerca de R$ 200 mil reais em 3 anos de mandato. Essa denúncia é tão somente uma cortina de fumaça para tentar tirar o foco das supostas irregularidades do contrato bilionário com as empresas de publicidade, bem como das denúncias de uma suposta rede de perfis, que seriam custeados com dinheiro público para atacar pessoas que fazem oposição política ao governo e a instituições fiscalizadoras. Essa cortina de fumaça direcionada a mim, nada mais é do que uma tentativa desesperada de intimidar uma parlamentar eleita e tirar o foco da real questão: os fatos a serem apurados na CPI. Não nos intimidaremos e não retrocederemos.”






