Foto: Divulgação / CPRH

A construção de 528 unidades de moradia popular no bairro de Boa Viagem é a mais nova contenda entre o Governo do Estado e a Prefeitura do Recife.

Neste sábado (16), após vizinhos dos conjuntos Vila Aeronáutica I e II, na Rua 20 de Janeiro, supostamente insatisfeitos com a retirada de árvores centenárias dos locais que darão lugar aos habitacionais populares, denunciarem através das redes sociais, uma verdadeira mobilização se formou nos arredores do terreno.

A vizinhança da Zona Sul, “preocupada com o meio ambiente”, reclamava, além do suposto desmatamento, com a destinação dos animais que ocupavam o terreno.

Com os protestos, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) foi acionada para intervir. O secretário de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha, Daniel Coelho, também esteve no local para intervir.

Coelho, representando o Governo do Estado, explicou que a prefeitura possui licença e documentação de somente um dos lotes que compõem a totalidade do terreno que vai receber o habitacional. O secretário também afirmou que não é contra a construção de “moradia popular”.

“O governo do estado é a favor da construção de habitacionais, a gente é a favor de moradia popular. Agora, nós temos o dever de proteger o Meio Ambiente e de cuidar da documentação correta”, afirmou.

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Mas, a essa altura, com a repercussão nas redes sociais, o assunto dividiu a opinião de internautas, que apontaram suposta hipocrisia dos moradores da região. “O problema todo é que os moradores do local não querem um condomínio habitacional popular perto deles, as árvores são só desculpa”apontou um internauta. “Nasci para ver morador da Zona Sul preocupado com o meio ambiente”, escreveu outro.

Do outro lado, comentários contrários a construção dos habitacionais também foram registrados em publicações nas redes sociais. “Vão subir uma favela vertical, acabou a paz de quem mora na região”, disse.

Críticas à postura do secretário Daniel Coelho também foram registradas. “Lembro ano passado, nos debates para a eleição de Prefeito, Daniel Coelho [candidato à época] falando mal da abordagem da Prefeitura no quesito moradia. Agora tá querendo barrar a construção de um habitacional da Prefeitura”, escreveu um internauta, fazendo referência ao posicionamento do secretário, quando candidato, que afirmou que a primeira ação que faria caso eleito era retirar o Centro POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua) de Setúbal. “O primeiro dia como prefeito do Recife, falo isso para a população do bairro de Setúbal, nós vamos fechar esse Centro Pop”, afirmou Coelho em sabatina na Folha de S. Paulo.

O comentário repercutiu negativamente. A também candidata à PCR, na época, Dani Portela (PSOL), classificou a proposta de Daniel como “higienista”.

O que disse a Prefeitura do Recife

Em nota, a PCR classificou a ação como “arbitrária” e argumentou “que todo o licenciamento seguiu rigorosamente os trâmites legais previstos para a área”.

“O terreno para construção dos habitacionais foi escolhido por estar situado em área com ótima infraestrutura, ao lado de estação de metrô, terminal de ônibus e corredores de transporte como a Avenida Mascarenhas de Moraes e a Rua Barão de Souza Leão. Por fim, a gestão municipal esclarece que o terreno onde serão edificadas as moradias recebeu fiscalizações que atestaram regularidade nos licenciamentos e serviços a serem executados”, escreveu.

O secretário de Habitação do Recife, Felipe Cury, em vídeos em suas redes sociais, esclareceu que a gestão fará a compensação ambiental no bairro com o plantio de 38 indivíduos arbóreos de grande porte, 112 de médio e 118 de pequeno porte, totalizando 268 unidades.

“Quem está por aí dizendo que é a favor de árvores, na verdade parece que é contra as pessoas virem morar aqui. O povo também merece morar em Boa Viagem. A gente está garantindo a dignidade humana, cuidado da vida das pessoas, é uma obra de mais de R$ 90 milhões, garantido através do Minha Casa, Minha Vida”, disse.

Sobre os habitacionais

A Prefeitura do Recife iniciou a construção de 528 unidades habitacionais dos conjuntos Vila Aeronáutica I e II, na Rua 20 de Janeiro, em Boa Viagem. A parceria com o Governo Federal visa garantir apartamentos com cerca de 51 m², divididos em 17 blocos.

O investimento previsto é de R$ 90 milhões.

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