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Os primeiros sinais de que as obras de moradia popular dos conjuntos Vila Aeronáutica I e II, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, virariam disputa política surgiram ainda no primeiro conflito, em 16 de agosto, entre o secretário de Meio Ambiente, Daniel Coelho, e o secretário de Habitação do Recife, Felipe Cury.
De lá para cá, houve embargos a alguns dos lotes e aplicação de multas à Prefeitura do Recife. A gestão argumenta que possui toda a documentação e licenças necessárias para o desmatamento das áreas, além de se comprometer com o replantio dos chamados indivíduos arbóreos.
Do outro lado, moradores e ativistas apontam que a supressão da vegetação é irregular e prejudicial a várias espécies de animais que passaram a habitar os terrenos abandonados há mais de 20 anos.
Conflito no canteiro de obras
O último capítulo desta disputa ocorreu no fim de semana, quando o vereador Eduardo Moura (NOVO) visitou os canteiros no sábado (06) e realizou o que chama de “fiscalive”. O parlamentar atendeu a pedidos da vizinhança, que denunciou a retomada das obras em lotes embargados pela CPRH.
No local, Moura confrontou representantes da Prefeitura do Recife, incluindo o secretário Felipe Cury e o procurador-geral do município. O vereador pediu acesso à autorização para continuidade das obras, o que foi negado pelo secretário.
Em meio ao bate-boca, Moura foi chamado de “genocida” e acusado de ser contra a moradia popular, narrativa que, segundo ele, tenta desconstruir seus argumentos em defesa do meio ambiente e ao pleito da vizinhança do futuro habitacional.
O vereador também foi acusado de atuar a serviço da governadora Raquel Lyra (PSD), em tentativa de prejudicar a gestão municipal. Em resposta, disparou: “estou cagando para a governadora e governo”.
Debate na Câmara
O caso chegou à Câmara Municipal do Recife. Em discurso nesta segunda-feira (8), Moura repercutiu a fiscalização e elevou o tom contra a prefeitura.
Nas redes sociais, acusou a gestão de agir “como bandido”, na “calada da noite”, e de ignorar o poder de fiscalização do Legislativo.
“No sábado, a prefeitura do Recife praticou mais um crime de desobediência, e eu fui chamado lá como vereador desta casa para verificar esse crime. Chegando lá, tentaram me barrar, como sempre tentam, então avisei que, se não abrisse, iria pular o muro”, afirmou, citando o artigo 39 da Lei Orgânica Municipal, que assegura ao vereador a prerrogativa de fiscalizar, e acusando a gestão de ferir o artigo 59 da mesma norma ao impedir sua inspeção.
Moura também declarou que o secretário deveria “esperar um pedido de cassação” da função, pela violação da Lei Orgânica.
O resultado da fiscalização foi mais uma multa para a prefeitura, no valor de R$ 50 mil, motivada por indícios de continuidade do desmatamento em trechos já interditados.
O episódio evidencia que o cabo de guerra entre a gestão e a oposição está longe de ter um fim.







