Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Por Áureo Cisneiros *
Hoje, pregam mais os políticos nos templos do que a palavra do Senhor Jesus. O que era para ser sagrado se tornou palco de disputas eleitorais. Em vez de evangelho, discursos inflamados. Em vez de comunhão, polarização. O púlpito foi sequestrado, e a fé, vendida ao melhor projeto de poder.
Pastores e padres que deveriam servir ao povo, estão servindo a partidos, políticos e, muitas vezes, ao seu próprio enriquecimento. Usam a fé como escada para negócios, influência e prestígio. E fazem isso em nome de Deus, como se o Criador compactuasse com mentiras, ódio, ganância e manipulação.
Um dos exemplos mais emblemáticos desse desvio é o pastor Silas Malafaia. Ao invés de anunciar o amor de Cristo, ele vocifera ataques, promove divisões e defende com unhas e dentes projetos políticos que pouco ou nada têm de cristãos. A Bíblia é usada como escudo, mas o conteúdo de seus discursos lembra mais o livro de Baal — aquele que corrompe, que adora o poder, que ilude com aparência de santidade. Diante disso, cabe uma pergunta honesta: será que Malafaia acredita mesmo em Deus? Porque quem acredita, teme. E quem teme, não prega o ódio com tanta tranquilidade.
Estamos vivendo um tempo em que a idolatria política invadiu os templos. Líderes religiosos, em vez de apascentar o rebanho, pastoreiam interesses próprios. E o povo? Muitos são usados como massa de manobra, levados a crer que obedecer ao pastor ou ao padre é o mesmo que obedecer a Deus. Quando, na verdade, estão sendo guiados ao abismo da alienação, da mentira e da destruição do espírito crítico.
Religião alguma deve se prestar a isso. A verdadeira fé liberta, cura, humaniza. Não manipula, não oprime, não lucra às custas da boa-fé dos pobres. A fé cristã, de fato, deveria ser escândalo para os corruptos — não abrigo.
É preciso, com urgência, devolver os púlpitos à espiritualidade. Que os altares deixem de ser palanques e voltem a ser lugares de acolhimento. Que a palavra de Jesus volte a ser pregada em sua essência: com verdade, com compaixão, com justiça.
Porque quem usa Deus para manipular o povo… terá contas a prestar. E elas não serão apenas nas urnas ou nos tribunais dos homens — mas no juízo que nenhuma retórica humana poderá escapar.
“Pastores e padres estão servindo a partidos, e não ao povo.”
“Quem prega ódio em nome de Deus… não teme a Deus.”
“O altar virou palanque. Mas o povo começa a acordar.”
* Áureo Cisneiros é Presidente do Sinpol-PE e defensor da Segurança Pública como Direito Fundamental
O conteúdo deste artigo reflete a apuração e a análise do autor, não representando necessariamente a opinião do Blog do Yan.







