Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil
Nos bastidores, o que se comenta é que as eleições municipais de 2024 serviram de um grande aprendizado para o diretório pernambucano do Partido Liberal. O próprio presidente da sigla, o ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, já admitiu publicamente que a atuação de figuras como Gilson Machado dificultaram o desempenho da legenda a nível estadual.
O problema em si pode não ser exatamente o ex-ministro Gilson Machado, mas sim o que ele representa: uma direita mais radical e inteiramente ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Estratégia para 2026
A aposta do partido para 2026, de acordo com interlocutores ligados à alta cúpula do partido, é se distanciar ao máximo da figura do ex-presidente Jair Bolsonaro. A avaliação feita é que as pautas defendidas pelo líder não têm mais espaço entre os novos conservadores, que buscam “alternativas mais lúcidas”, é o que dizem.
As ponderações perpassam também pela suposta postura autoritária do presidente de honra do partido, além dos possíveis envolvimentos com crimes e ilegalidades, que resultaram em investigações que “mancharam a identidade do partido”. Ainda segundo fontes, essas reflexões não são apenas do diretório pernambucano, mas também em outros estados, Bolsonaro vem se tornando “persona non grata” entre os correligionários.
Embora parte do partido pense dessa forma, uma grande maioria que não pode ser ignorada pensa completamente o contrário. Em maio deste ano, durante uma conferência em Nova York, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foi categórico ao afirmar que não “haveria direita sem Bolsonaro”.
Mais tarde, em junho deste ano, o polêmico Silas Malafaia, guru de Bolsonaro, elevou o tom e baixou o nível. “Tá com um, tá com outro. Como é que pode querer exigir alguma coisa de Bolsonaro se tem ministério no governo Lula? Isso é prostituta. […] Nós temos uma direita prostituta, vagabunda, que se vende”, disse o líder evangélico durante um ato em São Paulo.
Conflitos internos em Pernambuco
Em Pernambuco, mesmo que silenciosamente, o PL segue no ritmo de se distanciar do ex-presidente. Mas o movimento não é novo. Desde as eleições municipais, já era observada essa estratégia. Este repórter acompanhou de perto a crise no partido durante a visita de Bolsonaro ao Recife naquele ano.
No aeroporto, enquanto uma verdadeira multidão incluindo políticos e candidatos esperavam ansiosamente o desembarque do ex-presidente, Mano Medeiros (PL), à época candidato à reeleição em Jaboatão dos Guararapes, optou por ir até o programa de Cardinot, conceder entrevista e nos outros dias evitou ao máximo se encontrar com o líder.
Em entrevista, na época, respondendo a questionamentos sobre o fato de não ser visto tentando tirar uma “selfie” com Bolsonaro, Mano respondeu que a população não se preocupava com bandeiras ideológicas e que em uma eleição municipal, o que interessava eram as pautas de interesse do município, que incluem problemas cotidianos.
Este ano, a primeira-dama de Jaboatão, Andreia Medeiros, se filiou ao PSD da governadora Raquel Lyra, e durante o evento de filiação, com a participação da família Ferreira, que comanda o partido no estado, ficou claro que Mano estaria prestes a ser cedido pelo PL ao PSD, em um claro gesto.
Nas entrelinhas, a possibilidade é vista como um aceno para 2026, onde o PL de Anderson Ferreira tende a apoiar o projeto político de reeleição da governadora Raquel Lyra.
O vereador Paulo Muniz, que recentemente assumiu o comando do PL do Recife, substituindo Gilson Machado, retirado à força do comando da sigla, deixou claro em entrevista à Rádio Folha que o partido irá apoiar a governadora Raquel Lyra. Mas resta saber se a direita mais bolsonarista está disposta a encarar essa realidade.
O próprio ex-ministro Gilson Machado, que vem perdendo cada vez mais espaço na sigla, se coloca como pré-candidato ao Senado Federal em 2026, mas enfrenta no partido uma série de reveses que genuinamente dificultam sua atuação. O destino? O NOVO, o PP, são alguns dos partidos que poderiam receber o sanfoneiro. A conferir.






