Foto: Nando Chiappetta / Alepe
Uma publicação feita na maior página da direita pernambucana (@direita.pernambuco) serviu de estopim para ataques ao deputado estadual Alberto Feitosa (PL). O objetivo da postagem, que até agora conta com centenas de curtidas, comentários e compartilhamentos, visou apontar um suposto distanciamento do parlamentar com os ideais bolsonaristas.
Mesmo se demonstrando fiel aliado e articulador de Bolsonaro em Pernambuco, esta não é a primeira vez que o deputado enfrenta críticas semelhantes. A publicação na página dá conta de um requerimento feito à mesa diretora da Assembleia Legislativa para a criação de uma “FRENTE PARLAMENTAR PELA INTEGRIDADE DA INFORMAÇÃO E COMBATE À FAKE NEWS”, como “resposta necessária e urgente diante do impacto crescente da desinformação na sociedade”, segundo a justificativa.
A pauta, por si, já contrasta com os ideais da direita mais bolsonarista que alegam suposta tentativa de censura e atentado à liberdade de expressão, qualquer que seja o tipo de intervenção direta do governo nas redes sociais.
Composição da frente
Mas, para além do fato ideológico, a suposta frente seria liderada pelo deputado Júnior Matuto (PRD) e contaria com a participação de Caio Albino (PSB), Sileno Guedes (PSB), Dani Portela (PSOL), Rodrigo Farias (PSB) e Waldemar Borges (MDB), além do próprio Alberto Feitosa (PL).
A participação de Feitosa como único parlamentar assumidamente de direita nesta frente serviu de munição para alguns internautas afirmarem que, na verdade, o deputado era um “infiltrado” na direita pernambucana. “Esse nunca foi de direita”, cravou um internauta. “E pior, se fosse a primeira vez, tá, passava, mas já deve ser a trigésima vez que ele articula, apoia, e vota com PSOL e PSB. Aí, isso irrita”, escreveu outro.
Histórico político
Outros fizeram questão de pontuar o histórico de Feitosa dentro da administração pública, chegando a ser vice-líder do governo na Alepe (2007-2010), durante a gestão de Eduardo Campos; foi posteriormente nomeado pelo próprio Eduardo secretário de turismo do estado (2011-2014) e, por fim, já na gestão de Geraldo Júlio à frente da prefeitura do Recife, foi secretário de Saneamento da cidade, cargo que ocupou até 2016, quando foi eleito deputado estadual pela quarta vez pelo Solidariedade.
De lá para cá, adotou uma postura crítica às gestões do PSB e chegou a ser vice-líder da oposição de 2020 até 2022. Hoje, o parlamentar cumpre um papel importante da articulação bolsonarista no nordeste, sempre ao lado de figuras como o ex-ministro Gilson Machado Neto e mobilizando manifestações pró-Bolsonaro.
Defesa do deputado
A resposta do parlamentar à página foi no próprio post. Repudiou totalmente o que classificou como “montagem” e “fake news”.
“Esse tipo de comportamento é de um mau-caratismo típico da esquerda. Típico de gente que se infiltra na direita para desunir e desinformar”, escreveu. “O papel de um deputado estadual é, antes de tudo, fiscalizar as contas do Estado e zelar pelo bom uso do dinheiro público. É exatamente isso que tenho feito na Assembleia Legislativa de Pernambuco: investigar contratos que levantam dúvidas e que podem, sim, parecer ilícitos, por isso assinei o apoiamento para abertura da CPI, assim como também assinaram os deputados Joel e Abimael, também do PL. Por que só eu apareço nessa postagem?”, afirmou.
Em tempo, o deputado ainda questionou a motivação da direita apoiar a CPMI do INSS e não apoiar a da publicidade, instaurada para averiguar possíveis irregularidades de contratos de publicidade da gestão estadual. “A ‘direita’ apoia a CPMI do INSS em Brasília, por que é contra essa aqui em Pernambuco? Seria plausível pensar e dizer, que essa página está a serviço de alguém?”, afirmou.
Outra parte de internautas partiu em defesa do deputado, alegando que a publicação seria ambígua e tendenciosa.
A reportagem buscou o requerimento no site da Alepe para verificar a veracidade da Frente, mas não localizou até então. A reportagem será atualizada em eventuais novos esclarecimentos.







