Foto: Redes Sociais
Nesta quinta-feira (05), a cantora e patrimônio vivo do estado, Lia de Itamaracá, anunciou em suas redes sociais que foi exonerada do cargo de secretária de Turismo, Cultura e Lazer da Ilha de Itamaracá na gestão do prefeito Paulo Galvão (PSD).
O anúncio veio após a artista registrar vários empecilhos que estava tendo com a administração, com direito a interferências na pasta, falta de autonomia e entraves de todo tipo. Dito isto, chegou a exoneração.
Com 80 anos e mais de sete décadas dedicadas à cultura popular, a notícia foi lamentada pelos defensores da pauta. A vereadora recifense Cida Pedrosa (PCdoB) comentou na publicação feita nas redes sociais da cantora, afirmando que a cidade tem o dever de valorizar e respeitar a artista. “Uma cidade que tem Lia de Itamaracá como expoente da cultura tem por obrigação respeitá-la e valorizá-la”, escreveu.
O desgaste que culminou na exoneração é antigo. Lia foi convidada ainda em 2024, mas no início da gestão já relatava falta de diálogo, transparência e participação na gestão da ilha. Chegou a afirmar que não havia pedido ou reivindicado o cargo, mas que tinha o desejo de contribuir com a cultura na Ilha, que é um dos maiores pontos turísticos do estado, muito cantado nas cirandas da própria cirandeira.
Em suas redes, a artista reafirmou que seguirá comprometida com a cultura. “Meu compromisso com a cultura popular e por todos aqueles que fazem a permanece vivo por que caminha comigo”, esclareceu.
Veja a nota na íntegra
Amigas e amigos, população de Itamaracá,
Não estou deixando a cultura, mas a Prefeitura Municipal da Ilha de Itamaracá. Meu compromisso com a cultura popular e por todos aqueles que fazem a permanece vivo por que caminha comigo.
Depois das minhas últimas declarações sobre os entraves que vinha enfrentando como Secretária de Turismo, Cultura e Lazer, recebi a notícia da minha exoneração feita pelo prefeito Paulo Galvão nesta noite. Estou em São Paulo onde me preparo para uma sequência de apresentações. Daqui, reitero meu compromisso com a seriedade do meu trabalho e preocupação com um nome que construí ao longo de mais de 70 anos de carreira com muita resistência, inclusive para ser respeitada como mulher e representante da cultura pernambucana pelo mundo.
Eu não poderia fazer o contrário agora. Não concordei com projetos que não pude opinar em nada, nos quais não tive direito de decisão sendo titular da pasta. Minha equipe também não foi consultada para a destinação de recursos para a contratação de bandas dos eventos que serão realizados na cidade, onde não haverá a participação de artistas da cultura popular. Também fui desrespeitada pela gestão municipal quando fui exonerada temporariamente numa manobra administrativa para realização de eventos.
Na próxima semana tenho uma conversa com o Ministério Público de Pernambuco para tratar esses fatos. Enquanto gestora pública, cargo para o qual fui convidada, mas não pude exercer, esse também é meu papel.
Seguirei fazendo minha ciranda de mãos dadas com minha Ilha. Lia não se cala, Lia não se curva e ninguém desmerece ou desrespeita Lia de Itamaracá.
Itamaracá, 4 de setembro de 2025.
Lia de Itamaracá






