Foto: Divulgação/ PL
Em entrevista nesta sexta-feira (26), o ex-deputado federal e presidente estadual do PL em Pernambuco, Anderson Ferreira, comentou sobre o cenário político de 2026, no qual seu nome tem sido cogitado para disputar uma das duas vagas no Senado pela direita. Ele também falou sobre o apoio a Jair Bolsonaro e sua relação com o ex-ministro Gilson Machado Neto (PL).
Na conversa, Anderson confirmou que pode disputar o Senado, mas ressaltou que a definição só virá após deliberação conjunta dentro do partido. “Estou pronto, preparado e querendo. Mas é muito cedo, anteciparam demais essa questão da candidatura ao Senado ou ao governo. A gente precisa dialogar com a população e com a classe política, porque ainda há muitas indefinições no cenário nacional. Existe, sim, um apelo popular para que haja senadores de direita, mas isso precisa ser uma estratégia coletiva do PL”, destacou.
Sobre a possível candidatura de Gilson Machado, Anderson disse respeitar o desejo do aliado, mas levantou ponderações sobre sua trajetória. “Enquanto ele está fazendo shows, o cachê de uma banda às vezes é um gerador que falta numa unidade de saúde, falta prioridade”Esses fatores vão pesar na escolha”, afirmou.
O ex-prefeito também revelou que a decisão final passará pela executiva nacional do partido: “Bolsonaro tem preferência pela candidatura de Gilson, já o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, defende o meu nome”, disse.
Apoios estaduais
Questionado sobre a eleição para o governo de Pernambuco em 2026, Anderson elogiou a gestão de Raquel Lyra (PSD) e admitiu a possibilidade de uma aliança. “A governadora tem se esforçado muito, tem potencial enorme para fazer entregas. Herdou um estado sucateado após 16 anos de PSB, que trouxeram atraso e desgaste político. A construção política pode ocorrer a qualquer momento. Nunca tive dificuldade de diálogo com Raquel”, declarou.
Não haverá candidatura em cima do muro
Ferreira também comentou sobre o posicionamento dos candidatos em eleições presidenciais, criticando a neutralidade da governadora em 2022. “Não haverá espaço para ficar neutro. Se houver um nome de direita com apoio de partidos como PSD e Republicanos, não dá para ficar nesse meio termo. Não existe campanha onde se coloque Lula em segundo plano aqui em Pernambuco”, afirmou.
Desafios
Vale lembrar que, em 2022, Raquel venceu sem declarar apoio nem a Lula nem a Bolsonaro, estratégia que funcionou em um cenário polarizado. Entretanto, com a disputa de 2026 desenhando-se ainda mais acirrada, repetir a neutralidade pode ser arriscado. De um lado, João Campos (PSB), surge como um expoente da esquerda, com forte apelo nacional e local. Do outro, a direita deve apresentar candidaturas alinhadas diretamente ao Bolsonarismo ou ao Centro.
Nesse contexto, Raquel terá um desafio político delicado: manter a capacidade de dialogar com diferentes espectros sem perder apoio de nenhum dos lados. Se, em 2022, a neutralidade lhe abriu caminho para a vitória, em 2026 a estratégia pode não ter o mesmo efeito. A governadora terá de calibrar sua articulação com precisão, equilibrando simpatias da direita, que a vê como possível parceira, e da esquerda, que também a reconhece, tendo inclusive apoio do presidente Lula, assim como João Campos. Sua habilidade em definir o “tempo certo” e o “tom certo” será decisiva para não se tornar refém de uma polarização ainda mais intensa.






