Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Na última semana, a Petrobras, estatal que atua nos setores de óleo, gás natural e energia do Brasil, celebrou a assinatura de nove contratos com as empresas que serão responsáveis pela retomada da construção de unidades de processamento da refinaria em Pernambuco.
As empresas Consag, Tenenge, CPL, Possebon, Tecnosonda e Schneider Electric firmaram contratos que somam mais de R$ 8,3 bilhões em investimentos, já previstos no plano de negócios da estatal para o período de 2025 a 2029.
Trem 2 e projeções de produção
De acordo com informações preliminares, o acordo prevê a conclusão da chamada Trem 2, unidade de processamento integrado de refino de petróleo da refinaria localizada na cidade de Ipojuca, Região Metropolitana do Recife.
A petroleira estima que as obras gerem cerca de 30 mil empregos diretos e indiretos durante o período de construção. Com a conclusão da Trem 2, é projetado o acréscimo de 13 milhões de litros de diesel S10 (de baixo teor de enxofre) por dia à produção doméstica da Petrobras.
Segundo Magda Chambriard, presidente da estatal, em nota à imprensa, a refinaria fortalece a indústria petroleira. “Os volumes reforçam a relevância da Rnest na ampliação da produção de derivados de maior valor agregado no parque de refino da Petrobras, promovendo ganhos em produtividade e contribuindo para o fornecimento de combustíveis com baixo teor de enxofre. Teremos investimentos rentáveis, que nos permitirão integração e diversificação dos negócios, com geração de valor na transição energética justa”, afirmou.
Histórico de polêmicas
As polêmicas envolvendo a Refinaria Abreu e Lima (Rnest) antecedem até mesmo a sua construção. Ainda entre 2005 e 2008, quando o projeto foi lançado, o Brasil teve que arcar sozinho com a construção da refinaria, uma vez que o acordo entre Petrobras e PDVSA (Venezuela) não saiu do papel.
Em 2009, com as obras em andamento, sucessivos atrasos e aumentos de custos elevaram o valor da construção da refinaria, que deveria custar inicialmente R$ 12 bilhões, mas acabou ultrapassando R$ 101 bilhões, segundo estimativas.
Durante a Operação Lava Jato, uma das maiores investigações da Polícia Federal, com mais de mil mandados de busca e apreensão, a refinaria de Abreu e Lima foi alvo por suspeitas de corrupção e superfaturamento em contratos com grandes empreiteiras.
Porém, neste ano, o Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou o processo bilionário, alegando prescrição do prazo para punições.
Outras polêmicas envolvendo questões ambientais e emissão de gases poluentes também foram registradas ao longo dos anos, com relatos de moradores próximos à refinaria sobre problemas respiratórios, irritações na pele e desconforto constante.







