Foto: Rodolfo Loepert / PCR

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As costuras que apontam para as eleições do próximo ano começam a ganhar forma em Pernambuco. Ainda é incerto quem irá compor a chapa majoritária da governadora Raquel Lyra (PSD), tanto para o Senado quanto para as vagas de deputado federal e estadual.

Nos bastidores, Fernando Dueire e Eduardo da Fonte têm se aproximado mais do campo político da governadora, sendo cotados como possíveis nomes ao Senado, enquanto o prefeito do Recife, João Campos (PSB), observa o cenário e mantém conversas com aliados.

Do lado do prefeito, o leque de opções para o Senado inclui nomes como, Humberto Costa — cuja reeleição é prioridade do PT —, além de Miguel Coelho, Silvio Costa Filho e Marília Arraes.

João Campos elogia Eduardo da Fonte, mas evita fazer gestos

Durante recente entrevista, João Campos foi questionado sobre os partidos que orbitam as alianças em construção para 2026 — entre eles, o Partido Progressista (PP), comandado por Eduardo da Fonte em Pernambuco.

Embora o deputado federal esteja atualmente mais alinhado ao projeto da governadora Raquel Lyra, ele tem reiterado que nada está definido. Ao comentar o assunto, João fez elogios a Eduardo, mas evitou dar sinais de certeza política:

“É uma decisão que vai ser tomada no ano que vem. Eduardo é um cara muito capaz, muito habilidoso, sabe construir, sabe formar conjunto, chapa, construir um time. Então, tenho certeza que ele vai construindo a solução para o partido dele no tempo certo”, disse João Campos.

Outro ponto relevante comentado por João é a possível federação entre o PP e o União Brasil — partido presidido em Pernambuco por Miguel Coelho, aliado de João Campos. O movimento, que ainda está em discussão, pode alterar significativamente o equilíbrio das forças políticas locais, já que o PP é ligado a Raquel Lyra e o União integra o grupo do prefeito do Recife.

“O fato novo nessa construção é a possível federação do PP e União, que joga mais uma variável na equação. A federação vai ser efetivada quando? Como é o comando? Como é a decisão? No meio do caminho tem dois partidos que são muito grandes, e tem uma federação a ser criada. Se a federação for criada, deixam de valer os estatutos dos partidos e vale o da federação. Agora, eu acho que a gente está falando de gente que sabe fazer política, que tem capacidade de fazer, tanto Eduardo da Fonte quanto Miguel Coelho. E é inegável a relação que nós temos com Miguel Coelho, com o (deputado) Fernandinho, com (deputado) Antônio, que têm feito um grande trabalho. E a nossa torcida é para que eles possam liderar esse processo no Estado de Pernambuco”, afirmou João Campos.

“Não são eles que vão pautar nosso tempo”

O deputado Eduardo da Fonte (PP) tem adotado um tom mais cauteloso e independente. Em entrevistas recentes, reforçou que o posicionamento do partido em 2026 dependerá da avaliação dos governos estadual e municipal.

“Não será uma decisão unilateral. É importante que a gente faça, no início do próximo ano, uma avaliação das duas gestões. Vamos observar também como os candidatos, no ano que vem, irão se portar em relação a temas importantes para a federação União Progressista. Mas com certeza, para onde o partido for, estaremos encaminhando o próximo governador do Estado”, declarou.

Apoio a Miguel Coelho deverá ser prioridade

Entre os aliados de João Campos, Miguel Coelho desponta como prioridade. Em diversas agendas públicas ao lado do prefeito, Miguel já declarou apoio ao projeto do PSB para 2026 e afastou, por ora, qualquer aproximação política com Raquel Lyra.

“Ela é a governadora do Estado, se ela convidar, nós vamos sentar para conversar, para discutir Pernambuco, mas não discutir política. Até porque já ficou muito claro que a governadora já fez a opção dela e nós fizemos a nossa. Acreditamos que o melhor caminho que temos para seguir é com o prefeito João Campos, caso ele seja pré-candidato ao governo do Estado”, disse o ex-prefeito de Petrolina.

Presidente estadual do União Brasil, Miguel já sinalizou apoio integral a João Campos. Caso a federação com o PP se concretize, a aliança poderá enfrentar conflitos internos, já que o PP integra a base de Raquel Lyra.

João, embora não descarte futuras alianças com o PP, dificilmente abriria mão do apoio de Miguel Coelho — considerado um dos pilares de sua base.

Impasses

Em reportagem recente do jornalista Matheus Santos, publicada na Folha de S. Paulo, relembra que João Campos e Eduardo da Fonte foram aliados até 2023, quando o PP migrou para a base de Raquel Lyra.

Segundo os bastidores citados, há quem diga que falta “humildade” por parte do prefeito em fazer um gesto de reaproximação com o PP. Já aliados de João Campos sustentam que ele evita esse movimento para não desagradar Miguel Coelho e Silvio Costa Filho, dois dos seus principais parceiros políticos.

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