Foto: Câmara do Recife / Reprodução

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Elegância é uma questão de atitude”, frase atribuída ao estilista alemão Karl Lagerfeld, que faleceu em 2019, carrega grandes verdades. Às vezes, não importa a roupa que se utiliza cotidianamente ou até mesmo quantos dígitos tem uma conta bancária.

A elegância se vê nas atitudes e gestos. E, nesta semana, a Câmara de Vereadores do Recife, Casa de José Mariano, foi palco de mais um caloroso embate entre os parlamentares.

É natural que haja o embate. Na política, é o que mais se tem. Sobretudo em um ambiente de emoções e de ideologias tão distintas. Mas a forma como esses confrontos ocorrem às vezes tende a transmitir mais a sensação de um plenário onde o respeito mútuo passa longe.

Principalmente quando um ou outro determinado parlamentar tende a discursar apenas para suas bolhas.

Embate acalorado na Câmara

A vereadora do PSOL, Jô Cavalcanti, subiu à tribuna da Casa na segunda-feira (03) para repercutir as ações da Operação Contenção, que ocorre no Rio de Janeiro e resultou em mais de 120 mortes.

Interrompida aos gritos de “Bandidos”, a vereadora foi categórica: “Bandido é quem chama”. A partir daí, um show de deselegância se viu. Quem acompanhava pela TV Câmara foi poupado em partes, pois os microfones foram fechados. Mas, da galeria, foi possível ver os ânimos extremamente exaltados.

O resultado de tudo isso foi a promessa de vereadores de levar o nome da parlamentar à Comissão de Ética, que julgará o discurso da vereadora, que ainda foi além nas palavras, chamando de “machistas”, “misóginos” e “racistas” os pares.

O fato deu pauta para alguns blogs e portais que gostam de cobrir determinadas miudezas.

Diplomacia e consenso no dia seguinte

Passado um dia, ontem, terça-feira (04), ao contrário do que se viu na sessão anterior, os parlamentares deram uma verdadeira aula de elegância e diplomacia.

De forma unânime, a Casa aprovou a Emenda Modificativa n.º 5 ao Projeto de Lei n.º 28/2025, de autoria da vereadora Kari Santos (PT), que visava ampliar o alcance do Bônus de Desempenho Educacional (BDE) aos educadores lotados na Escola de Formação de Educadores do Recife Professor Paulo Freire (EFER).

O assunto uniu oposição e governo, que, de forma lúcida, dialogaram e garantiram a aprovação de uma importante medida para os profissionais da educação, que corrige, segundo a própria vereadora Kari Santos, uma “injustiça histórica”, uma vez que os professores e servidores responsáveis pela formação continuada da rede municipal não estavam incluídos entre os beneficiários do BDE.

“Os profissionais da Escola Paulo Freire cumprem um papel essencial na construção de uma educação pública de qualidade. Eles formam e apoiam os educadores da rede, garantindo que nossas crianças e jovens tenham um aprendizado melhor. É justo que também sejam reconhecidos e valorizados”, afirmou Kari Santos.

Felipe Alecrim (NOVO), líder da oposição, e Samuel Salazar (MDB), líder do Governo, foram taxativos nos elogios à iniciativa da vereadora, mas ressaltaram o papel conciliador e democrático da Casa. “Esse é o princípio da democracia e do parlamento”, disse Salazar.

Na mesma linha, Felipe Alecrim pontuou a atuação independente da parlamentar: “A forma como Vossa Excelência caminha de maneira independente, preocupada em levar políticas públicas que façam a diferença na vida das pessoas, tem saltado aos nossos olhos”, elogiou o líder da oposição.

Carlos Muniz (PSB) também ressaltou a importância do debate saudável e propositivo: “Isso aqui é o exercício da democracia — você discutindo com os líderes do Governo e da oposição. Fico muito feliz, porque os embates existem, mas o principal é trazer resultado para a cidade do Recife”, disse.

Pelo menos uma vez… “Elegância é uma questão de atitude”.

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