Foto: Divulgação

A família Bolsonaro voltou ao centro de mais um desgaste político nesta semana. No último domingo (30), durante o evento de lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo do Ceará, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, protagonizou um discurso que acirrou tensões dentro do próprio Partido Liberal (PL).

Na ocasião, Michelle criticou publicamente a aproximação de membros do PL no Ceará com o ex-governador Ciro Gomes, recém-filiado ao PSDB. Segundo ela, a aliança teria sido feita de maneira precipitada e sem a devida avaliação política.

Em tom de desabafo, Michelle afirmou: “Adoro o André, passei em todos os estados falando dele, do [deputado estadual] Carmelo Neto e da esposa dele, que foi eleita. Tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, isso não dá. Nós vamos nos levantar e trabalhar para eleger o Girão. Essa aliança vocês se precipitaram em fazer”, declarou.

Na semana anterior, a ex-primeira-dama já havia demonstrado contrariedade de forma indireta, ao publicar nas redes sociais um vídeo em que Ciro Gomes aparece fazendo críticas a Jair Bolsonaro.

Ainda durante o evento, em resposta às declarações de Michelle, o deputado federal André Fernandes, presidente estadual do PL no Ceará, afirmou que o acordo com Ciro Gomes teria sido autorizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro antes de ele ser preso.

Críticas dentro do próprio clã

As declarações de Michelle provocaram reação imediata entre os filhos do ex-presidente. Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro classificaram o posicionamento da ex-primeira-dama como autoritário e constrangedor.

“A Michelle atropelou o próprio presidente Bolsonaro, que havia autorizado o movimento do deputado André Fernandes no Ceará. E a forma como ela se dirigiu a ele, que talvez seja nossa maior liderança local, foi autoritária e constrangedora”, afirmou Flávio Bolsonaro.

Na sequência, Carlos e Eduardo endossaram o posicionamento do irmão, afirmando que, independentemente de o acordo ser bom ou ruim, tratava-se de uma decisão tomada por Jair Bolsonaro. “Não vou entrar no mérito de ser um bom ou mau acordo, foi uma posição definida pelo meu pai. André não poderia ser criticado por obedecer o líder”, disseram.

Ciro Gomes x Bolsonaro

A relação entre Ciro Gomes e Jair Bolsonaro é marcada por constantes embates. Ciro já criticou duramente o ex-presidente em diversas ocasiões, chegando a acusá-lo de cometer genocídio durante a condução da pandemia de Covid-19, além de fazer ataques relacionados a escândalos de corrupção.

Em entrevistas anteriores, o ex-governador também declarou que defendia que Bolsonaro “pagasse caro pelos crimes que cometeu”, além de usar termos como “roubalheira” e “ladrão de galinha” para se referir ao ex-presidente.

Após desentendimentos, veio a suspensão

Diante do agravamento da crise interna, o PL anunciou, nesta terça-feira (2), a suspensão das negociações para uma eventual aliança com Ciro Gomes, no Ceará.

A decisão foi tomada após uma reunião na sede nacional do partido, em Brasília, que contou com a presença de Michelle Bolsonaro, do deputado André Fernandes, do presidente nacional da legenda Valdemar Costa Neto, do secretário-geral da sigla e do senador Rogério Marinho (RN). O encontro teve como objetivo tentar apaziguar a disputa pública entre a ex-primeira-dama e os filhos do ex-presidente.

Em nota, o partido informou que, a partir de agora, as decisões políticas serão tomadas com maior diálogo interno e atenção às lideranças regionais. “Daqui para a frente, a gente vai fazer como tem que ser feito sempre: conversar internamente com quem melhor conhece a realidade regional e pensar qual é a melhor forma de recolocar nosso projeto de país para voltar a prevalecer a partir de 2027, analisando cada cenário com muita calma. Isso não vai acontecer novamente”, declarou a legenda.

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