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O volume investido por pessoas físicas no Brasil alcançou a marca de R$ 7,3 trilhões ao final de 2024, um crescimento de 12,6% em relação ao ano anterior. Os dados são do relatório da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Apesar do aumento, especialistas alertam que o conhecimento do próprio perfil de investidor é um passo essencial, muitas vezes negligenciado por quem entra no mercado.
Segundo pesquisa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), 52% dos investidores brasileiros se declaram com perfil arrojado, enquanto 36% são moderados e apenas 9% se consideram conservadores. Os números, contudo, não significam uma aversão generalizada à segurança.
“Segurança e conservadorismo se relacionam, mas não são a mesma coisa”, pondera Carlos Lopes, especialista em Renda Fixa da SIR Investimentos. “Ser conservador significa ter menos tolerância ao risco, ou seja, preferir investimentos mais estáveis e previsíveis, mesmo que rendam menos. Já segurança diz respeito à proteção do patrimônio — que é algo que todos os investidores, inclusive os mais arrojados, também buscam”, complementa.
Lopes explica que existem três perfis principais: conservador, moderado e arrojado. “Se você prefere estabilidade e dorme tranquilo com ganhos menores, é conservador. Se aceita algumas variações em busca de retornos melhores, é moderado. Já se tolera oscilações maiores, pensando no longo prazo, é arrojado”, detalha. Para ele, o primeiro passo é inegociável: “O primeiro passo para quem vai investir é fazer o teste de perfil de investidor. Esse teste mede sua tolerância ao risco, seu prazo de investimento e seus objetivos financeiros”.
O especialista ressalta que a rentabilidade não precisa ser sacrificada em nome da segurança, nem o inverso. “Ter um perfil arrojado não significa correr riscos de forma irresponsável. Mesmo quem investe em bolsa, por exemplo, precisa de uma base segura — como uma reserva de emergência, ou parte da carteira em renda fixa para dar estabilidade. Segurança e rentabilidade não são opostos — são lados que precisam caminhar juntos para construir resultados consistentes no longo prazo”, finaliza Lopes. O crescimento do volume investido aponta para uma maior popularização do mercado de capitais, mas evidencia também a necessidade de educação financeira para que as decisões sejam tomadas com base no perfil individual e não apenas na expectativa de ganhos.






