Foto: Divulgação

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A inadimplência entre empresas em Pernambuco atingiu o maior nível da série histórica em 2025, segundo dados da Serasa Experian. Ao todo, mais de 242 mil empresas encerraram o ano sem conseguir pagar suas contas, acumulando mais de 1,3 milhão de dívidas negativadas no estado.

O avanço da inadimplência reflete uma combinação de fatores externos, como cenário econômico e custo do crédito, e internos, ligados à gestão dos próprios negócios. A falta de planejamento financeiro aparece como um dos principais pontos de vulnerabilidade, especialmente entre pequenas e médias empresas.

De acordo com o CEO da SIR Investimentos, Sérgio Guedes, práticas básicas de organização financeira ainda não são adotadas de forma consistente. “Empresas que desejam crescer de forma sustentável precisam ir além da busca por faturamento imediato. Estruturar reservas financeiras e desenvolver mecanismos de proteção patrimonial, investindo os recursos estrategicamente, ajuda a atravessar períodos de instabilidade sem recorrer a crédito caro, que comumente leva ao endividamento”, afirma.

O especialista destaca que a ausência de controle de custos e de gestão de riscos compromete a capacidade de reação das empresas em momentos de queda de receita. “Uma gestão criteriosa de custos e riscos garante fôlego para decisões estratégicas, e diversificar fontes de receita reduz a dependência de um único mercado ou cliente, aumentando a resiliência do negócio”, acrescenta.

Além da rotina operacional, há despesas obrigatórias que exigem previsibilidade financeira, como encargos trabalhistas e custos fixos. Segundo Guedes, a construção de reservas específicas é essencial para manter o funcionamento do negócio. “Qualquer empresa possui despesas, sejam elas fixas ou variáveis. Um bom gestor consegue construir uma reserva específica para manter o negócio funcionando, e isso inclui o pagamento de todas as contas do negócio”, diz.

Os dados da Serasa indicam que o problema não está restrito a grandes passivos. A dívida média das empresas pernambucanas é de R$ 19,5 mil, valor que, embora considerado moderado, pode comprometer a operação quando não há controle de caixa.

Para o especialista, o endividamento costuma começar de forma gradual, impulsionado por decisões sem planejamento. “Por isso é tão importante planejar investimentos com base em projeções realistas. Isso permite organizar o fluxo de caixa, evitar o endividamento desnecessário e fazer o dinheiro da empresa trabalhar a favor do seu crescimento”, afirma.

Guedes também aponta o assessoramento profissional como alternativa para empresas que enfrentam dificuldades na organização financeira. “Um profissional qualificado ajuda a estruturar reservas de forma estratégica, identificar riscos que muitas vezes passam despercebidos e definir a melhor alocação de recursos. Além disso, o olhar técnico contribui para diversificar receitas com segurança e planejar investimentos alinhados ao perfil e aos objetivos da empresa”, conclui.

O cenário reforça a pressão sobre o ambiente de negócios em Pernambuco, com impacto direto na geração de empregos, na capacidade de investimento e na sustentabilidade das empresas, especialmente fora dos grandes centros econômicos.

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