Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
Um pedido de impeachment contra a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), foi protocolado na Assembleia Legislativa (Alepe) nesta segunda-feira (19). A iniciativa partiu do deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil) e tem como base denúncias de que uma empresa de ônibus pertencente aos pais da governadora teria operado de forma irregular no estado por pelo menos três anos.
A petição agora depende de análise do presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB). Caso ele entenda que há elementos suficientes, poderá ser instalada uma Comissão Especial para avaliar o mérito do pedido e decidir sobre o prosseguimento do processo, conforme prevê o rito legislativo.
No documento, Romero Albuquerque sustenta que a governadora teria cometido crimes de responsabilidade ao permitir que interesses privados se sobrepusessem às normas legais e ao interesse público. Segundo o parlamentar, Raquel Lyra “utilizou das suas funções e prerrogativas para permitir que os seus interesses pessoais fossem sobrepostos ao rigor da lei e ao interesse público”.
As denúncias envolvem a Logo Caruaruense, empresa gerida pelos pais da governadora, o ex-governador João Lyra Neto e Mércia Lyra, e que encerrou oficialmente suas atividades em 16 de janeiro de 2026, após a divulgação de irregularidades. Reportagem revelou que os ônibus da empresa circularam em Pernambuco com vistorias vencidas desde 2022 e sem o pagamento da taxa exigida para a atividade.
Mesmo em situação considerada irregular, a Logo Caruaruense recebeu R$ 105 mil em recursos públicos entre 2023 e 2025, referentes a auxílio-transporte de servidores. Os repasses teriam ocorrido sem licitação, segundo as informações que embasam o pedido de impeachment. Raquel Lyra integrou o quadro societário da empresa até 2018.
Um relatório técnico da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI) aponta que a última inspeção dos veículos ocorreu em 2022, ano da eleição de Raquel Lyra para o governo do estado. Desde então, os ônibus não teriam passado pela avaliação anual exigida pela legislação. O documento também indica que todos os veículos da frota tinham mais de dez anos de uso, limite máximo permitido para operação, conforme o Decreto nº 40.559/2014, que determina o cancelamento do registro de ônibus que ultrapassem esse período. A idade média da frota, segundo o relatório, chegaria a 14,5 anos, quase três vezes acima do padrão legal.
Diante da repercussão do caso, a governadora anunciou o encerramento das atividades da empresa e afirmou que “a empresa entregou as suas linhas à Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI)”. Segundo Raquel Lyra, “a EPTI vai trabalhar para que a gente não tenha prejuízo à população, para que o sistema continue funcionando e a gente permita à população ter o direito de ir e vir”.






