Foto: Yacy Ribeiro / Secom
Desde a exibição de uma reportagem exclusiva do Domingo Espetacular, da TV Record, apontando para um suposto uso político da Polícia Civil de Pernambuco, sendo utilizada para espionar adversários políticos da gestão Raquel Lyra (PSD), as redes sociais foram tomadas por manifestações e protestos de lideranças pernambucanas.
O alvo, segundo a reportagem, seria o secretário de Articulação Política e Social da Prefeitura do Recife, Gustavo Monteiro, nome ligado ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), e seu irmão, Eduardo Monteiro, servidor do Executivo municipal.
De acordo com a matéria, um grupo da Polícia Civil realizava uma operação de espionagem extraoficial, de forma diuturna, contra figuras ligadas diretamente a João Campos, principal adversário político da governadora.
Reações políticas e cobranças por explicações
O episódio rapidamente ganhou contornos mais amplos e abriu margem para diversas críticas endereçadas à gestão estadual. O líder da oposição na Assembleia Legislativa, Cayo Albino (PSB), classificou as ações como ilegalidades e cobrou explicações ao Palácio. “Não vamos aceitar que a força policial seja utilizada como instrumento de perseguição política. Quem exerce poder deve responder pelos seus atos, sempre dentro da lei e com respeito às instituições”, escreveu em uma rede social.
Na mesma linha, o líder do PSB na Alepe e presidente estadual da legenda, Sileno Guedes, defendeu um aprofundamento do caso. Pelas redes sociais, a deputada Gleide Angelo (PSB) informou que encaminhou um ofício à Secretaria de Defesa Social solicitando esclarecimentos sobre os fatos e sobre o que motivou a investigação. “A Polícia Civil e nossos policiais são homens e mulheres sérios e honrados. Não se pode admitir nenhuma ingerência política em nenhuma instituição”, afirmou.
Dani Portela (PSOL) também cobrou respostas. “Tudo isso sem autorização judicial, sem inquérito policial instaurado. Quem fez isso? Ficou claro na reportagem. Mas quem mandou fazer? Isso fere os princípios das liberdades individuais, isso fere a nossa Constituição”, ponderou.
Repercussão municipal e comparações com a ditadura
O tema também chegou à Câmara de Vereadores do Recife. O líder do PSB e pré-candidato a deputado federal, Rinaldo Júnior, e a vereadora Kari Santos (PT) comentaram a notícia. Kari, por sua vez, traçou uma comparação entre o governo estadual e a gestão Bolsonaro.
Em nota à imprensa, o prefeito de Garanhuns, Sivaldo Albino (PSB), comentou a suposta perseguição política por parte da governadora Raquel Lyra. “Desde o início de nossa gestão em Garanhuns temos sentido os efeitos da perseguição política e administrativa por parte do Governo Raquel Lyra, mas o que se noticia agora, nunca vimos nada igual”, disse.
“A linha democrática foi rompida, tal e qual os piores momentos da ditadura militar, quando os órgãos de segurança serviam para perseguir adversários do regime. Isto é gravíssimo e precisa de uma resposta incisiva da sociedade e de suas instituições representativas”, completou.
Enquanto isso, deputados e líderes governistas mantêm silêncio sobre os fatos.







