Foto: Divulgação

Os problemas recorrentes do Carnaval de Olinda voltaram ao centro do debate político no município. Na primeira sessão da Câmara de Vereadores após a festa, realizada na terça-feira (24), a vereadora Eugênia Lima (PT) avaliou que as falhas históricas da folia não apenas se repetiram em 2026, como foram aprofundadas pela ausência de planejamento da gestão municipal.

Segundo a parlamentar, a desorganização teve início antes mesmo do período oficial da festa, com o esvaziamento da comissão responsável pela condução do Carnaval. “A desorganização começou muito antes do primeiro bloco ir para a rua. Com desrespeito à comissão do carnaval, o espaço que deveria garantir planejamento, diálogo, transparência foi esvaziado, ignorado e conduzido de forma antidemocrática”, afirmou, ao discursar no plenário.

Para Eugênia, os reflexos dessa condução foram evidentes durante os dias de folia em Olinda. Ela citou acúmulo de lixo, número insuficiente de banheiros químicos e condições precárias enfrentadas por moradores, foliões e trabalhadores. Nesse contexto, criticou declarações da prefeita Mirella Almeida, que teria classificado como humanamente impossível resolver o problema da coleta de lixo durante o Carnaval e atribuído parte da responsabilidade à população, por descartar resíduos fora do horário indicado.

Na avaliação da vereadora, a fala transfere para os moradores uma responsabilidade que deveria ser do poder público. “O resultado desse e de outros erros foi o acúmulo de lixo, falta de banheiro químico, expondo moradores, foliões e trabalhadores a condições indignas”, disse.

Outro ponto destacado foi a situação dos ambulantes. Eugênia afirmou que houve desorganização no cadastramento e fornecimento insuficiente de equipamentos de proteção individual, mesmo após a aprovação de legislação municipal que prevê EPIs para a categoria. “Foi dado dois para cada um, um que não era o adequado e um colete. Trabalhadores que dependem da renda e que foram tratados com o mesmo improviso do ano passado e falta de estrutura”, declarou.

A parlamentar também criticou a proliferação de camarotes disfarçados de day use, prática que, segundo ela, fere a Lei Municipal do Carnaval (nº 5.306/01) e amplia o processo de privatização da festa. No campo simbólico, apontou mudanças na decoração urbana, com perda de referências culturais tradicionais. “Não tinha sombrinha, não tinha maracatu. A via estava infestada de publicidade de bets e patrocinadores, transformando o cenário cultural em vitrine de interesses privados”, afirmou.

No âmbito da segurança, Eugênia registrou críticas à atuação da Polícia Militar, que classificou como desproporcional em alguns momentos. Ela relatou ainda denúncias envolvendo as condições de trabalho dos próprios policiais, incluindo atraso no pagamento de diárias e problemas no fornecimento de alimentação. “A atuação truculenta e sem justificativa da Polícia Militar gerou tensão e medo em diversos momentos da festa. Ao mesmo tempo, há denúncias graves de que os próprios policiais não receberam as diárias e enfrentaram condições precárias de alimentação”, afirmou.

Ao encerrar a fala, a vereadora disse que continuará cobrando mudanças na condução do Carnaval e defendeu uma festa com maior planejamento e respeito aos diferentes públicos envolvidos. “Nós não vamos parar por aqui. Vamos continuar na luta porque vale a pena sonhar, vale a pena lutar, vale a pena acreditar. Que venham os próximos carnavais, mais organizados, mais justos e mais cuidadosos com quem faz a festa”, concluiu.

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