Foto: Reprodução / Trensurb

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O metrô do Recife recebe, no fim do mês de março e início de abril, “novas” composições para reforçar o sistema de transporte gerido pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). As seis primeiras composições seminovas virão do Rio Grande do Sul, cedidas pela Trensurb.

A Folha de Pernambuco revelou em primeira mão as condições dos trens que chegam ao Recife e conversou com o gerente regional de Operação da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), José Innocêncio.

Características e condições dos trens

Os trens têm os mesmos parâmetros dos que já operam na Região Metropolitana do Recife, como tamanho e capacidade. O diferencial está em detalhes como a climatização. Os carros da Trensurb não contam com ar-condicionado, e sim com um sistema de ventilação, janelas mais largas e ventiladores de alta potência distribuídos nos vagões.

As composições gaúchas têm o mesmo tempo de uso das recifenses, que é de 40 anos em média. No entanto, segundo José Innocêncio, as condições dos carros são melhores, devido ao fato de que as malhas ferroviárias em que elas rodavam eram menores, comparadas à extensão das linhas do Metrô-REC.

“O trecho deles é muito menor que os nossos, então a conservação é muito melhor”, afirmou José, que também esclareceu o motivo dessa cessão. “Porque eles decidiram comprar trens novos (da China). Então eles não tinham sequer onde colocar esses trens. Ou eles passam para locais de derretimento de ferro ou coisas assim, ou vendem para alguém que está precisando”, disse.

Apesar dos fatores mencionados acima, que geram questionamentos sobre a qualidade do serviço que seguirá sendo prestado até o processo de concessão à iniciativa privada, o gerente afirmou que a chegada das composições representa um respiro para o sistema, que beira o colapso.

Na avaliação da estatal, vinculada ao Ministério das Cidades, não vale a pena instalar um sistema de climatização nas composições, visto que, com a privatização, os trens devem ser substituídos em até três anos.

Outro diferencial dos novos trens é o sistema de segurança. Segundo Innocêncio, as locomotivas gaúchas não contam com um equipamento chamado ATC, que identifica onde a composição está na malha ferroviária e previne colisões entre os trens. Dessa forma, os veículos dependem de controle manual.

Longe do ideal, o gerente garante que a CBTU estuda uma forma de garantir maior segurança na operação. “Estamos contratando uma startup do Porto Digital que vai elaborar um sistema para suprir a ausência desse sistema de segurança. Eles estão estudando o uso de um sistema com antenas, e estamos avaliando, porque tudo indica que será melhor do que apenas o custo de licenciamento. A questão número zero do nosso sistema, é a questão da segurança. Evitar qualquer acidente”, disse.

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