Foto: Lula Marques / Agência Brasil

Foto: Lula Marques / Agência Brasil

Após uma reportagem do site The Intercept Brasil, revelando a troca de mensagens entre o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a direita e a esquerda de Pernambuco tomaram as redes sociais sobre o assunto.

Segundo o Intercept, o senador mantinha contato com o banqueiro e chegou a enviar um áudio, “negociando” cerca de R$ 134 milhões para arcar com a produção do filme Dark Horse, que conta a trajetória política de Jair Bolsonaro até sua ascensão à Presidência da República.

No áudio, Flávio expressa preocupação com o atraso de parcelas para a produção do longa, o que estava causando uma tensão nos bastidores da gravação. “É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”, afirmou o filho do ex-presidente.

No estado, o assunto tem tomado a timeline dos políticos e lideranças, tanto da direita quanto da esquerda. De um lado, integrantes da esquerda repercutem a notícia e endossam a suposta ligação entre os Bolsonaros e o banqueiro, preso desde março no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF, que investiga crimes de lavagem de dinheiro e corrupção.

Do outro lado, correligionários do senador em Pernambuco, lideranças e porta-vozes da direita pernambucana tentam desconstruir a narrativa de ligação e tratam o assunto como um tipo de perseguição política e ameaça ao projeto de pré-candidatura ao Senado.

Logo após as revelações trazidas pelo Intercept, a vereadora do Recife, Liana Cirne (PT), protocolou uma ação junto ao Ministério Público Eleitoral contra o senador, pedindo a apuração de possível propaganda eleitoral antecipada e eventual abuso de poder econômico relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”.

“Se confirmadas as denúncias, Flávio Bolsonaro transformou uma produção audiovisual em máquina milionária de promoção eleitoral antes do período permitido por lei”, afirmou a parlamentar.

Reações e embate entre aliados e oposição

A também vereadora do Recife, Kari Santos (PT), também repercutiu o assunto em suas redes sociais. Chamando de “escândalo do BolsoMaster”, Kari questionou de forma irônica: “um filme sobre Bolsonaro financiado por um banqueiro criminoso?”, escreveu.

Já o ex-ministro do Turismo de Bolsonaro e pré-candidato a deputado federal, Gilson Machado Neto (PODEMOS), tratou sobre o assunto e foi categórico: afirmou que não há crime e cobrou a instalação de uma CPI para investigar a fundo os escândalos do Banco Master.

“Já querem começar a lacrar os caça-like. Agora, sempre houve dinheiro privado patrocinando filme no Brasil. Eu pergunto, esse dinheiro é público? É da Rouanet ou é dinheiro privado? Muita calma, muita coisa vai acontecer, muita coisa vai vir à tona ainda”, disse o ex-ministro e um dos porta-vozes do bolsonarismo pernambucano.

Na Assembleia Legislativa, o deputado Coronel Feitosa (PL), em aparte à deputada Dani Portela (PT), também registrou suas impressões sobre as revelações. “A indignação deve ser pela relação que tem Vorcaro com membros do Ministério de Lula”, disse. “Flávio Bolsonaro não está pedindo dinheiro para ele, a exemplo do que faz o Lulinha [filho de Lula]”, afirmou.

O alarido promete render entre os grupos políticos, que devem explorar as notícias para emplacar suas narrativas em torno do assunto. A conferir.

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