Foto: Pedro Caldas

Foto: Pedro Caldas

Nesta terça-feira (26), os deputados estaduais, liderados pelo líder da oposição e presidente da Comissão de Saúde da Alepe, Sileno Guedes (PSB), convocaram a imprensa para apresentar o que classificaram como “dossiê sobre a saúde pública de Pernambuco”, onde apresentaram uma série de dados sobre o tema.

De acordo com os parlamentares, o Estado vive um “colapso” na área da saúde, que se dá graças a supostas reduções em investimentos, fechamento de unidades públicas e redução de leitos hospitalares.

Oposição aponta redução de investimentos e fechamento de unidades

Munidos de fotos e relatórios enviados pela própria Secretaria de Saúde do Estado a cada quatro meses à Alepe, os deputados afirmaram que o Estado reduziu em R$ 1,5 bilhão os investimentos na área desde 2022, justamente no último ano da pandemia de Covid-19, fato que desencadeou queda na oferta de leitos, superlotação de hospitais e precarização das estruturas.

Segundo Sileno, três hospitais foram fechados: o Hospital Jesus Nazareno, em Caruaru, no Agreste; o Hospital de Retaguarda em Neurologia, no Recife; e o Hospital Central de Paulista, na Região Metropolitana do Recife.

“Se você reduz orçamento, se você fecha unidade, se você reduz leitos, você gera o quê? Superlotações dos hospitais, gera demora no atendimento, gera má qualidade no atendimento. Quando você fala de novas unidades, a gente não tem no estado de Pernambuco nenhum investimento sendo feito, nenhuma UPA sendo construída, nenhum novo hospital foi construído ao longo desses anos”, afirmou o parlamentar.

“Esses dados são tirados de um relatório, a Secretaria Estadual de Saúde é obrigada, por determinação legal, de comparecer à Assembleia Legislativa, na Comissão de Saúde, e apresentar um relatório quadrimestral” (…) “Apenas dois andares do Hospital da Restauração foram efetivamente concluídos e a fachada”, esclareceu.

Apesar da gestão cumprir com o mínimo constitucional de 12% para investimentos na Saúde, Sileno alega que a redução nos gastos foi de 3%, causando os problemas citados no dossiê.

Ainda segundo o relatório, cerca de 2.026 leitos foram diminuídos entre 2022 e 2026, enquanto os investimentos na área caíram de 18,8% da receita corrente líquida do Estado, em 2022, para 17,4% em 2023. Já no ano de 2024, a queda foi de 15,7% e 15,8% em 2025.

Relatório será encaminhado a órgãos de controle

O vice-presidente da Casa de Joaquim Nabuco, deputado Rodrigo Farias (PSB), afirmou que os dados levantados durante as inspeções feitas nas unidades devem, na próxima semana, ser encaminhados ao Tribunal de Contas do Estado, Ministério Público de Pernambuco, Conselho Regional de Medicina (Cremepe) e à SES.

“Nós, como deputados estaduais eleitos pelo povo de Pernambuco, estamos cumprindo o nosso papel de fiscalização, de tentar melhoria na qualidade de vida da saúde do povo de Pernambuco”, afirmou Farias.

Citando como exemplo o Hospital da Restauração, Sileno afirmou que recipientes do tipo garrafa estavam sendo cortados e utilizados para a coleta de urina de pacientes para a realização de exames laboratoriais, enquanto no Hospital Agamenon Magalhães foi encontrada a presença de fezes e urina de ratos em área de armazenamento de equipamentos médicos.

Em nota, o Governo do Estado, através da Secretaria de Saúde de Pernambuco, afirmou que entre 2022 e 2025 houve um crescimento no orçamento total executado na área, que saiu de R$ 8,67 bilhões para R$ 11,42 bilhões, resultando em um crescimento de R$ 2,74 bilhões.

Além disso, segundo a SES, a gestão abriu 670 novos leitos hospitalares definitivos. Quanto ao fechamento de unidades, o governo esclareceu que foram abertos leitos na mesma quantidade e perfil, sem alteração no número total de leitos na rede.

Já sobre a unidade de Paulista, adquirida pelo Governo, a pasta garantiu que o hospital irá iniciar sua operação nas próximas semanas.

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