Foto: Reprodução / SECOM

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“Chapa branca” é o termo utilizado no jornalismo para classificar um tipo de matéria ou mote acrítico, simplório ou até mesmo servil a políticos, lideranças e circunstâncias, podendo acontecer por diversos fatores: financiamento, temor ou até mesmo por uma submissão barata.

Nas últimas semanas, desde as revelações da Folha de S.Paulo tratando sobre o suposto uso indevido de uma aeronave, adquirida pelo Estado para o transporte aeromédico, para “uso VIP” da governadora Raquel Lyra (PSD), e também os polêmicos repasses que beiram R$ 108,8 milhões, feitos pela gestão estadual ao Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde um dos sócios é o marido da vice-governadora Priscila Krause, a governadora tem demonstrado uma certa impaciência com coletivas de imprensa, talvez pelo receio de questionamentos a partir dessas revelações.

Faltando poucos dias para o início do período de Defeso Eleitoral, Raquel realizou visitas relâmpago a equipamentos e teve pautas longe dos holofotes da imprensa, sem o chamado “Aviso de Pauta”, endereçado às redações para o chamamento de jornalistas. Deixou praticamente para o dia limite, concentrando inúmeros veículos de diversos segmentos no Palácio, sem espaço para questionamento plural.

A limitação do espaço para perguntas

Nesta quarta-feira (08), foi a primeira agenda pública da gestora após o início do Defeso Eleitoral, justamente na abertura da 26ª Fenearte, e novamente a imprensa é surpreendida por uma “coletiva” com apenas uma pergunta, feita justamente por uma assessora. Questionada sobre um assunto político, de interesse público, a formação de sua chapa, cravou que não falaria do assunto na ocasião e, em seguida, encerrou a coletiva.

Foram exatos um minuto e cinquenta e nove segundos dedicados à imprensa, o que resultou em um sentimento de frustração por parte dos jornalistas presentes, cujas perguntas poderiam até passar por temas sensíveis, mas que dariam à gestão a chance do chamado contraditório, precioso para as redações preocupadas com o equilíbrio e a ética.

Evidentemente, enquanto governadora, Raquel não é obrigada a responder todos os questionamentos feitos, até por não haver espaço para isso. Mas, após atrasar cerca de 1h30 do horário previsto para sua chegada, o mínimo esperado pelos profissionais era o zelo e a sensibilidade em atender a imprensa.

No jornalismo político, sobretudo, ninguém está acima do questionamento. Todos os agentes públicos estão sujeitos à indagação e à contestação. Quem perde com a ausência de esclarecimentos? É uma das possíveis perguntas. Mas registra-se esta: “a quem interessa a restrição e extrema limitação à atividade jornalística?”

– Yan Lucca, editor deste Blog.

O conteúdo deste artigo reflete a apuração e a análise do autor, não representando necessariamente a opinião do Blog do Yan Lucca

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