Foto: Google Street View

O DenaSUS, departamento de auditoria vinculado ao Sistema Único de Saúde (SUS), divulgou, nesta semana, o relatório final da auditoria instaurada no início do ano para apurar indícios de irregularidades na Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, Agreste.

A unidade hospitalar, cujo um dos sócios é o marido da vice-governadora Priscila Krause, o empresário Jorge Branco Neto, recebeu, segundo a coluna de Carlos Madeiro, no UOL, módicos R$ 905 mil por procedimentos que não foram efetivamente comprovados.

Segundo o relatório, os procedimentos incluem cirurgias oncológicas, hemodiálise e tratamentos de câncer. O relatório responde a uma solicitação feita pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), após parlamentares contestarem o repasse de R$ 55,8 milhões federais feito pelo Fundo Estadual de Saúde entre janeiro de 2023 e julho de 2025, durante a gestão Raquel Lyra (PSD).

O assunto vem rendendo desde novembro de 2025, quando o portal Vero Notícias divulgou pela primeira vez que Priscila Krause, em períodos em que esteve interinamente à frente do cargo de governadora, assinou a liberação de cerca de 25 repasses financeiros que somaram R$ 3 milhões.

Ainda em fevereiro de 2025, Priscila já havia autorizado o envio de R$ 7,6 milhões e, em abril de 2024, foram liberados mais R$ 22,3 milhões em repasses.

Apesar de integrar a rede complementar do SUS, com cerca de 55 leitos e habilitado para serviços de média e alta complexidade, incluindo tratamento oncológico, de doença renal crônica e UTI, os auditores encontraram 113 irregularidades em AIH (Autorizações de Internação Hospitalar) de procedimentos que não foram comprovados em prontuários de pacientes, correspondendo a supostos pagamentos indevidos de R$ 897 mil.

O documento também aponta que cerca de R$ 7,9 mil foram repassados para o cumprimento do piso nacional da enfermagem, para pagar profissionais que já não estavam mais na unidade de saúde.

Conforme a reportagem, o DenaSUS solicita a devolução imediata de R$ 905.233,95 ao Fundo de Saúde. “As evidências obtidas demonstram a necessidade de adoção das medidas propostas neste relatório, visando à regularização das inconformidades identificadas, ao fortalecimento da gestão, ao aprimoramento dos controles administrativos, à adequada aplicação dos recursos públicos e ao cumprimento dos requisitos técnicos e legais aplicáveis aos estabelecimentos integrantes da rede do SUS”, cravam.

O relatório afirma, ainda, que a Secretaria Estadual de Saúde mantém seis termos de credenciamento com a unidade, o que, além de fragmentar a gestão, dificulta o controle financeiro. Segundo o DenaSUS, o hospital é o único prestador de serviços de UTI, oncologia e nefrologia da região, e, ainda assim, o estado utilizou o modelo de “credenciamento” para supostamente evitar a definição de metas de desempenho qualitativas e quantitativas.

Segundo o órgão, essa prática e a manutenção de contratos nestes moldes, sem indicadores de resultados, elevam o risco de ofensa aos princípios da impessoalidade e moralidade administrativa.

O outro lado

Ao UOL, a Secretaria de Saúde de Pernambuco afirmou que irá recorrer à Justiça, além de solicitar a revisão do resultado do relatório final do DenaSUS.

Também em nota ao portal, a Casa de Saúde contestou os resultados das auditorias e afirmou que os valores apontados no relatório final “representam aproximadamente 1% do total de recursos auditados no período, incidindo, em sua maior parte, sobre divergências de entendimento quanto à codificação administrativa aplicável a cirurgias oncológicas efetivamente realizadas”.

“A Casa de Saúde informa que irá questionar, pelas vias cabíveis, os valores apontados no relatório final, com base na documentação médica, que fundamentam a adequação dos procedimentos realizados, reafirmando seu compromisso permanente com o SUS e com a população que atende há mais de cinco décadas”, concluiu.

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