Foto: Jarbas Araújo/Alepe
No centro das polêmicas envolvendo o imbróglio entre a governadora e a Alepe, o deputado estadual Álvaro Porto, presidente da Casa de Joaquim Nabuco, em entrevista à Rádio Folha (96,7) fez uma aprofundada avaliação sobre as próximas eleições, com ênfase a possível disputa entre João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD).
Para o ex-correligionário de Raquel, a vitória do socialista será “fácil”, embora vislumbre uma campanha difícil. Porto classificou a atuação do prefeito do Recife como crucial para um “bom trânsito em todo Estado de Pernambuco e com todas as classes sociais”, o que pode ter bons resultados durante o pleito.
“Vai ser uma campanha difícil, a gente não sabe a que nível vai chegar essa campanha, mas eu acredito que, com a facilidade, com o desempenho que João tem junto à população”, afirmou.
Segundo o deputado, os aliados de Raquel temem a candidatura de João Campos, apontado como favorito segundo os últimos levantamentos no estado. “Não sei que medo é esse, porque, se você está tão bem, tão confiante, não tem que estar todo dia atacando, falando da pessoa, criticando que é isso, é aquilo. Se eu estou à frente de uma prefeitura, de um governo do estado, então fui eleito para mostrar serviço”, disse.
Tabuleiro político
Outro assunto abordado pelo tucano, foi a filiação em massa de prefeitos e prefeitas em todas as regiões do estado ao PSD de Raquel, que já está próximo de alcançar a marca de 80 prefeituras. “É muito bom apoio do prefeito. Claro que é excelente, principalmente os prefeitos na esperança de conseguirem obras para seus municípios, de trazer melhoria para a população. A gente está vendo diariamente a Casa Civil ligando para os prefeitos, oferecendo meio mundo de obras e, ao mesmo tempo, também chamando para que esses prefeitos se filiem no partido da governadora. Eu acho que que está certo, é a política. É o jogo da política”, afirmou
Mas, como nem tudo são flores, segundo a avaliação de Porto, o número expressivo de prefeituras aliadas e integrando o mesmo palaque e projeto político não é uma garantia de vitória. “Se você for analisar a história aqui em Pernambuco,Miguel arrastou 150 prefeitos e perdeu a eleição para Jarbas (Vasconcelos). Mendonça Filho tinha 128 prefeitos e perdeu eleição. Danilo Cabral estava com mais de 130 prefeitos e ficou no quarto lugar. A própria governadora foi eleita governadora de Pernambuco com apoio de oito prefeitos. Inclusive dois prefeitos eram de dentro da minha casa. Eram Sandra (Canhotinho) e Alvinho (Quipapá). A gente fez parte desse grupo, mas infelizmente eu tive que sair desse grupo porque estou vendo que Pernambuco está estagnado, está parado”, cravou.
Reações e recados
Durante a entrevista, o presidente da Alepe também comentou a repercussão do vídeo publicado em suas redes sociais onde respondia Raquel sobre o suposto atraso da Alepe na aprovação de pautas do interesse do executivo.
Álvaro classificou a atitude como necessária, visto que a Alepe vinha sendo apontada pela líder como principal gargalo para o avanço de obras e entregas pelo Executivo.
“Essa questão de querer transferir responsabilidade, jogar a inoperância do governo, querer jogar em cima dos deputados, eu acho que não está sendo correto. A gente vinha calado, sem dar resposta, mas quando teve várias cobranças de vários deputados sobre qual seria o posicionamento da Casa, então a gente quebrou esse silêncio, dando a resposta verdadeira e mostrando realmente o que que está acontecendo”, disse Porto.
“Já que fala tanto que a Assembleia está atrapalhando, então mostre qual é a obra que está paralisada. Agora, o que a gente vê paralisada é a promessa de mais de 200 creches que não não saem do papel. Não sei nem quantas creches têm aí, se já tem alguma pronta. Agora, é Bateu levou. A gente não vai ficar calado porque, quando fica muito na retaguarda, só esperando cacetada, às vezes vem tanta mentira em cima de você, que essa mentira se torna verdade. A gente não vai deixar que isso continuar”, concluiu.






