Foto: Reprodução / Redes Sociais
Os metroviários não conseguem deixar de lado a insatisfação com o presidente Lula da Silva (PT), eleito com a promessa de retirar a Companhia Brasileira de Trens Urbanos do plano de desestatização.
Para a categoria, o sistema deficitário do órgão vinculado ao Ministério das Cidades foi “sucateado” nas últimas gestões, justamente para justificar a entrega à iniciativa privada. Nas próximas semanas, a previsão é a estadualização do sistema, primeiro passo para a concessão definitiva, conforme registrou o Blog anteriormente.
A frase “Lula traiu os metroviários” é um dos motes levantados pela categoria que segue na luta contra a privatização. A principal bandeira defendida pelo sindicato e pelas articulações da classe é a manutenção do metrô público e da chamada “tarifa social” de R$ 2,00, o que, para o governo federal, está fora de cogitação.
Privatização e histórico do sistema
Tanto o ministro das Cidades, Jader Filho, quanto Rui Costa, da Casa Civil, já sinalizaram com clareza que o caminho da estatal é o mesmo do metrô de Belo Horizonte, privatizado em dezembro de 2022.
Historicamente, esta seria a segunda reestruturação do sistema ferroviário pernambucano, mas, talvez, a mais abrupta. Em 1985, a CBTU foi criada para substituir a antiga Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), com o objetivo de modernizar e expandir o transporte urbano. A reestruturação se manteve no âmbito público. Porém, a realidade vivenciada pela empresa hoje é completamente diferente.
Nos últimos anos, a companhia enfrenta enorme falta de investimentos, o que resultou em verdadeiros “cemitérios de trens”. Sem manutenção, os trens chamados CAF, fabricados na Alemanha e que chegaram ao Brasil em 2014 para integrar a frota na Copa do Mundo, encontram-se, em sua maioria, parados. Os poucos que ainda circulam funcionam precariamente, sem ar-condicionado, com portas quebradas e oferecendo risco real aos mais de 160 mil usuários que dependem das linhas Centro e Sul.
Falhas no serviço e mobilização política
No momento em que esta reportagem vai ao ar, o sistema está com a linha Sul paralisada devido a uma pane elétrica. Já são 24 horas sem operação, prejudicando centenas de usuários de cidades vizinhas que dependem exclusivamente do transporte sobre trilhos para chegar à capital pernambucana.
O aporte previsto pela empresa para revitalizar e manter o sistema funcionando de forma razoável e com qualidade é bilionário. Ainda assim, mesmo com os esforços de deputados estaduais e federais, não parece ser prioridade do governo Lula manter o sistema público.
Apesar de tudo, a luta da categoria segue. O Blog recebeu a informação da Articulação Metroferroviária, movimento que integra o Sindmetro-PE (Sindicato dos Metroviários de Pernambuco), de que houve reunião com o prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral (SD). Na ocasião, foi deliberada a formação de uma frente com diversos prefeitos para tentar barrar a concessão.
A preocupação do movimento é que, no processo de concessão, a empresa retire o VLT de circulação, prejudicando os moradores do Cabo de Santo Agostinho e cidades vizinhas.






